Caracas - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou no sábado um corte de 6,7% no orçamento do país, devido à queda dos preços do petróleo, fonte de metade da receita, dentro de um pacote de medidas para enfrentarl a crises econômica global. O orçamento da Venezuela para 2009 ficará, agora, em 72,738 bilhões de dólares, contra os 77,86 bilhões de dólares aprovados no final do ano passado, declarou o presidente.
Na reformulação do orçamento, o preço do barril de petróleo ficou em 40 dólares, frente aos 60 dólares anteriores, e o volume de produção passou para 3.172.000 barris diários, ''produto dos cortes que tivemos de fazer na Opep'', explicou.
Os recursos petroleiros - principal fonte de divisas do país e que financiam metade do orçamento - ficaram em quase 95 bilhões de dólares em 2008, mas segundo analistas podem cair a US$ 55 bilhões este ano. Em busca de mais receita, o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) pulou de 9% para 12%. Para compensar os cálculos, o governo decidiu eliminar os gastos supérfluos, estabelecer tetos para as remunerações totais dos funcionários e cumprir de maneira rígida a execução do orçamento.
Também anunciou o endividamento do Banco Central da Venezuela em 22 bilhões de bolívares (10,232 bilhões de dólares), o que elevará o passivo interno a US$ 15,814 bilhóes.
Em seu pronunciamento, o presidente descartou uma desvalorização da moeda, que se mantém em 2,15 bolívares por dólar desde 2005, ou um aumento dos preços da gasolina, congelados há 13 anos em 0,04 dólar por litro. ''Não há desvalorização. Este é um governo que salvaguarda o valor da nossa moeda. Temos muito espaço de manobra que devemos preservar'', frisou. ''Não há aumento do preço da gasolina, ainda mais quando é o mais barato do mundo. Essa estrutura precisa ser revista, mas esse não é o momento'', completou.
Horas antes do anúncio do pacote, militares venezuelanos tomaram o controle de sete portos e aeroportos, entre eles os da cidade de Maracaibo, segunda mais importante do país e reduto da oposição, dentro de uma polêmica lei que devolveu ao Executivo a administração dessas instalações.
O presidente do Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (Inac), José Luis Martínez, informou que a operação transcorreu sem incidentes e que as ''novas autoridades mantêm contato com as administrações anteriores''. A administração de portos, aeroportos e rodovias era, até agora, competência dos governos estaduais.
A ocupação das instalações aconteceu como parte de uma reforma legal aprovada pelo Parlamento - dominado pela situação - que reverteu, parcialmente, a lei de descentralização, em vigor há 20 anos.

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