Caracas O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu ontem às Forças Armadas que se preparem para tomar as fábricas e armazéns de alimentos paralisados por uma greve da oposição há 40 dias.
''Também estou disposto a ações que assegurem a distribuição de alimentos'', disse o presidente durante um ato que contou com a participação de milhares de pessoas no estado Cojedes (200 km a suroeste de Caracas).
Em discurso transmitido por uma rede de rádio e televisão, o presidente acusou as empresas de alimentos de violarem ''a constituição e as leis (...) matando de fome o povo venezuelano''. Essas empresas participam desde o dia 2 de dezembro de uma greve para forçar a realização de eleições antecipadas.
Outra ameaça O presidente Hugo Chávez advertiu ontem os donos dos canais de televisão para que ''respeitam a Constituição e a legislação ou sofrerão os rigores das leis da Venezuela'', porque ''não vamos continuar permitindo propaganda de guerra''.
Ele acusou em particular o magnata da televisão Gustavo Cisneros, um dos mais poderosos da América Latina, de ser ''um dos maiores responsáveis pelo que está acontecendo na Venezuela e o acusou de golpista e fascista''.
''Chegou a dizer em algumas partes do mundo que não descansará até que Hugo Chávez esteja longe do poder ou morto. O senhor Cisneros está equivocado. Aqui não se trata de Hugo Chávez, mas de um povo e um país que se chama Venezuela'', comentou.
O presidente acusou as redes Venevisión, propriedade de Cisneros, Rádio Caracas Televisión, Globovisión e Televén de Caracas.
Apelo dos EUA O governo dos Estados Unidos pediu mais seriedade e ação do governo venezuelano de Hugo Chávez e da oposição para chegar a uma solução para a crise política do país, mergulhado numa greve geral há mais de cinco semanas.
''Queremos que as partes tentem resolver estes assuntos de maneira pacífica, que tentem superar as dificultades políticas na Venezuela. As partes devem se comprometer a fazê-lo mais ativa e seriamente e é isso que estamos tentando conseguir'', disse à imprensa o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.
''O secretário de Estado (Colin Powell) tem estado em estreito contato com outros chanceleres sobre os temas da Venezuela'', ressaltou Boucher, referindo-se ao colega mexicano, Jorge CastaÀeda, e ao brasileiro, Celso Amorim, assim como o secretário-geral da OEA, Cesar Gaviria, ''e outras partes interessadas''.
Boucher negou que os Estados Unidos estejam pressionando determinados países-membros da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (OPEP) para que aumentem sua produção até o fim da greve geral na Venezuela, único sócio latino-americano do grupo.

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