Em confronto, manifestantes jogaram objetos na polícia, que revidou com gás lacrimogêneo; um civil foi baleado e respira com a ajuda de aparelhos
Em confronto, manifestantes jogaram objetos na polícia, que revidou com gás lacrimogêneo; um civil foi baleado e respira com a ajuda de aparelhos | Foto: Sean Rayford/Getty Images/AFP



Charlotte (EUA) - O governador da Carolina do Norte declarou estado de emergência em Charlotte na noite de quarta-feira (21), após a segunda noite de confrontos na cidade, provocados pela morte do cidadão negro Keith Lamont Scott, de 43 anos, em uma ação da polícia. "Declarei estado de emergência e iniciei esforços para enviar a Guarda Nacional e a Patrulha Rodoviária para ajudar a polícia local em Charlotte", escreveu o governador Pat McCrory no Twitter.
Segundo o chefe da polícia local, Kerr Putney, 44 pessoas foram detidas após os incidentes de quarta-feira.
Em confrontos com a polícia, um manifestante ficou gravemente ferido depois de ser atingido por um tiro e respira com a ajuda de aparelhos após um confronto "entre civis", anunciou a prefeitura, segundo a qual a polícia "não abriu fogo".
Tudo começou com uma manifestação pacífica contra os abusos policiais, mas que terminou com atos de violência.
Alguns manifestantes quebraram vidraças e outros jogaram objetos nos agentes. Os policiais do Batalhão de Choque usaram gás lacrimogêneo na frente do Hotel Omni Charlotte para tentar dispersar centenas de pessoas, que tomaram as ruas no centro dessa cidade do sudeste dos Estados Unidos.
Os manifestantes estão convencidos de que Keith Scott, morto por um policial na terça-feira (20), foi vítima de um erro flagrante.
Segundo a polícia, Scott foi morto pelo agente Brentley Vinson porque se negava a abaixar uma arma de fogo. A família da vítima afirma que Scott carregava apenas um livro. "A história da arma é uma mentira", afirmou à AFP Taheshia Williams, que tem uma filha que estuda na mesma escola que um dos filhos de Scott. "Tiraram o livro e substituíram por uma arma. Este homem esperava sentado aqui todos os dias que o filho descesse do ônibus", completou.
A morte de Scott, após atos similares em outras cidades americanas nos últimos dois anos, já havia provocado manifestações na terça-feira. Os protestos terminaram com 16 policiais feridos, segundo as forças de segurança. Muitos civis também ficaram feridos, de acordo com a imprensa.

TESES DIFERENTES
O agente Vinson foi suspenso e aguarda os resultados de uma investigação administrativa. Os parentes de Scott repetiram que ele não carregava nenhuma arma, e sim um livro, no momento da morte. De acordo com sua filha, Scott Lamont esperava pelo filho no estacionamento.
"Posso garantir que uma arma foi apreendida. Também posso assegurar que não encontramos o livro que foi citado", disse o chefe da polícia Putney.
"Nos vídeos que assisti não é possível ver tudo o que aconteceu", completou.

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