Arquivo/FolhaPreocupaçãoPesquisas revelam que a maioria não vê Charles como um bom rei, o que já preocupa o Palácio de BuckinghamLONDRES - Se o príncipe Charles tinha qualquer ilusão sobre sua impopularidade, ela foi desmanchada por sucessivas pesquisas de opinião e pelo resultado constrangedor de um debate realizado entre 3 mil pessoas em frente às câmeras de tevê sobre o futuro da monarquia, realizado em janeiro. Até a princesa Diana, ex-mulher de Charles já expressou publicamente ter dúvidas sobre a capacidade do príncipe herdeiro se transformar em um bom monarca.
Embora a opinião da princesa deva ser um pouco questionada por causa das mágoas deixadas pelo casamento fracassado, ela parece espelhar a impressão da maioria dos súditos britânicos. Perguntados sobre se Charles deveria suceder no trono sua mãe, a rainha Elizabeth, a vasta maioria das pessoas presentes no debate levantou cartões vermelhos para mostrar que se opunham a idéia. Críticos classificaram o turbulento debate como fraudado e sem significância, mas a mensagem atingiu o destinatário.
Menos de 24 horas depois, o Palácio de Buckingham anunciou um plano de cinco anos para restaurar o status do príncipe Charles, dilapidado pelo problemático divórcio de Diana e a confissão do caso extraconjugal com Camilla Parker-Bowles.
Os auxiliares reais estão frustrados que o público pareça estar ignorando as boas realizações do príncipe, em particular a organização Prince’s Trust (algo como Companhia do Príncipe), que mantém obras de ajuda a cerca de 50 mil jovens sem recursos a cada ano. ‘‘O público claramente não compreende tudo o que ele fez e fará no domínio público e nós estamos tentando fazer algo sobre isso’’, disse o presidente-executivo da companhia, Tom Shebbeare, um dos auxiliares mais próximos do príncipe. ‘‘Eu acho que o que deveria ser feito é mesmo um trabalho melhor de explicar ao público o que o príncipe de Gales tem conseguido’’, declarou durante entrevista à TV.
Charles, tido como muito distante e de caráter um pouco cafajeste, não tem nada do tino natural para a publicidade que ajudou Diana a vencer a batalha pela afeição do público durante o longo e amargo divórcio. Enquanto ela costuma dominar as manchetes dos diários britânicos com visitas à Angola, país torturado pela guerra, e uma movimentada agenda de compromissos filantrópicos, Charles fica apanhando as migalhas com discursos sobre a importância dos centros nacionais de apoio aos estudos e ajuda aos jovens.
Charles administra uma vila modelo no sul da Inglaterra, onde realiza experimentos com técnicas de agricultura não-agressivas ao meio ambiente e arquitetura moderna. Mas esse projeto sempre foi eclipsado pelas fotos de Diana usando vestidos que a deixam elegante.
Sua confissão de que às vezes fala com as plantas e seu interesse por religiões orientais levou muitos a rotularem Charles de ‘‘tant㒒. Shebbeare culpa a mídia pela má imagem de Charles junto aos cidadãos britânicos.
Uma pesquisa feita semana passada em conjunto com o debate na TV mostrou que 34% dos entrevistados acham que Charles fez mais que qualquer outra pessoa para danificar a imagem da monarquia, enquanto apenas 11% culparam Diana.
A equipe do príncipe tentará reverter a situação procurando tornar os bons feitos dele mais conhecidos, ao invés de tentar mudar sua imagem. Mas alguns comentaristas temem que seja tarde demais para esses esforços. Menos da metade acha que ele daria um bom rei.
‘‘Para o príncipe Charles, a tarefa de restaurar a própria imagem junto às graças do público é tão desanimadora que chega a parecer impossível... Alguns acreditam que, sem ação mais radical, a tarefa de reabilitá-lo poderá provar-se impossível’’, publicou o jornal Sunday Times.

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