Uma alusão do príncipe Charles à autonomia das Ilhas Malvinas dividiu ontem o governante Partido Justicialista (peronista), no segundo dia de visita do herdeiro da coroa britânica à Argentina. ‘‘A Grã-Bretanha é uma potência usurpadora que não mudou sua política. O que muda são seus modos’’, disse ontem o vice-presidente Carlos Ruckauf sobre a alusão de Charles.
‘‘De modo algum pode ser tolerada a insinuação do príncipe de que os ilhéus podem ter direito à autodeterminação porque essa é uma armadilha que já foi usada pelos britânicos em outras partes do mundo’’, disse Ruckauf à Rádio América, de Buenos Aires. ‘‘Essa armadilha consiste em povoar com britânicos os lugares usurpados e depois pressionar para que eles se libertem e integrem a Commonwealth (a Comunidade Britânica de Nações)’’.
Na terça-feira à noite, Charles fez um chamado em favor da ‘‘convivência amistosa’’ entre os argentinos e os kelpers, como são conhecidos os habitantes do arquipélago, durante o jantar oferecido em sua homenagem pelo presidente Carlos Menem.
Historicamente, a Argentina sempre sustentou que os kelpers são uma população que foi ‘‘transplantada’’ pelos britânicos para o arquipélago depois de a Grã-Bretanha ter ocupado as Malvinas - ou Falklands, para os ingleses - em 1833.France PresseÚltimo tangoCharles dança com a filha do presidente Menem em jantar em sua homenagemAE-ANSA

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