Charge que compara Obama a macaco provoca revolta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Folhapress 
São Paulo- O jornal americano New York Post publicou anteontem uma charge que compara o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a um violento chimpanzé morto a tiros pela polícia. O desenho causou ira entre os jornais americanos e internacionais.
A charge, de autoria de Sean Delonas, mostra dois policiais perante o corpo de um chimpanzé furado por balas. Um dos policiais diz ao outro, eles terão de encontrar outra pessoa para escrever o próximo plano econômico.
Em declaração, o editor-chefe do Post, Col Allan afirmou: O cartoon é uma paródia clara de um evento atual, ou seja, a morte a tiros de um chimpanzé violento em Connecticut.
Allan se referia ao chimpanzé de estimação morto nos EUA por um policial após atacar uma mulher. Travis, um macaco de 15 anos e 90 quilos, que estrelou alguns comerciais de televisão, atacou uma mulher que foi visitar a dona do animal na cidade de Stamford, no Estado americano de Connecticut.
A mulher foi atacada quando saía do seu carro e perdeu muito sangue devido a golpes à sua cabeça. Ela está em estado grave no hospital de Stamford.
O Washington Post destacou em sua edição nacional o
ultraje causado pela charge. Segundo a publicação, grupos de direitos civis e políticos afirmaram que o desenho ecoa estereótipos racistas de negros e macacos, em um país que ainda sofre as marcas de uma passado extremamente racista.
O The New York Times (EUA) trouxe reportagem debatendo o conteúdo da charge e com críticas.
O conselheiro municipal de Nova York, Leroy G. Comrie Jr., pediu o boicote à publicação. Publicar uma charge tão violenta e racista é uma ofensa a todos os nova-iorquinos.
O jornal britânico The Guardian destinou espaço às críticas da charge que, à primeira vista, pode parecer normal ao cobrir uma história que todos estão cobrindo a dois dias, a morte de um chimpanzé que atacou a amiga da dona. Mas um olhar mais atento lança uma luz sinistra à charge, escreve o jornal.
O cartunista do Post,
Sean Delonas, é frequentemente chamado de Picasso do preconceito.


