Chanceleres viajarão ao Haiti
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terça-feira, 08 de junho de 2004
France Presse 
Quito - Os chanceleres do Brasil, Celso Amorim, da Argentina, Rafael Bielsa e do Chile, Soledad Alvear, viajarão em breve ao Haiti com o objetivo de deixar claro o interesse pela solução da crise no país, informou ontem uma fonte diplomática. ''Os países sul-americanos, sobretudo Brasil, Argentina e Chile, consideram que é um boa oportunidade de mostrar que a crise haitiana tem repercussão regional'', segundo a informação.
A data da viagem será definida quando as chancelarias coordenarem suas agendas, mas a fonte, que pediu anonimato, deixou claro que será ''muito em breve''. Durante a reunião, chanceleres da Comunidade do Caribe (Caricom) exortaram a OEA a aplicar o artigo 20 da Carta Democrática Interamericana, que se refere a uma ''alteração da ordem constitucional que afete gravemente a ordem democrática''. Dessa forma, o secretário-geral da OEA deveria realizar uma convocação imediata do Conselho Permanente, o qual ''adotaria as medidas convenientes''.
Os membros da Caricom teriam advertido seus pares de que, caso contrário, ''será a última vez que irão à OEA'' para pedir sua intervenção. A fonte ouvida pela France Presse indicou também que há consenso entre os países sul-americanos sobre a necessidade de reestabelecer a estabilidade no Haiti.
No entanto, os Estados Unidos e o governo interino do Haiti consideram que o artigo 20 não é aplicável porque o ex-presidente Aristide assinou sua renúncia no dia 29 de fevereiro e, portanto, não se trata de um golpe de Estado. O chanceler do Brasil, Celso Amorim, por sua vez, disse que era preciso ouvir ''os países mais próximos, como os do Caribe'', numa declaração que foi avaliada como um apoio à posição da Caricom.
O Brasil comanda uma força de paz de 6.700 homens provenientes de cerca de 30 países. Argentina e Uruguai aguardam uma aprovação parlamentar para o envio de tropas para esta força multinacional.


