Madri, Espanha - O chanceler Paolo Gentiloni foi designado neste domingo (11) para formar o próximo governo da Itália. A tarefa foi entregue pelo presidente Sergio Mattarella, após reunir-se durante a semana com líderes dos principais partidos. Caso forme seu gabinete, Gentiloni vai substituir o premiê Matteo Renzi, que renunciou ao cargo na quarta-feira (7) após seu referendo constitucional ser derrotado. Se Gentiloni não for capaz de montar um governo, a tarefa pode ser repassada a outra pessoa pelo presidente.

A crise política italiana preocupa o restante do bloco europeu. Mas a troca de governos não é incomum no país. A Itália teve 63 governos nos últimos 70 anos.
Gentiloni, de 62 anos, trabalhou como jornalista antes de entrar para a política. Do governista Partido Democrático (centro-esquerda), ele é aliado de Renzi. Não está claro se seu governo irá durar até o fim da legislatura, em 2018. Diversas forças políticas, incluindo o próprio Partido Democrático, pedem a antecipação das eleições para 2017.

A data, no entanto, é motivo de disputa. O Partido Democrático quer que o pleito seja realizado após a reforma da lei eleitoral, que pode ser concluída em janeiro. Partidos como o populista Cinco Estrelas e o xenófobo Liga Norte preferem que o voto ocorra antes da reforma, e o mais rápido possível.

A lei eleitoral vigente garante maioria parlamentar automática ao vencedor, o que poderia ajudar o Cinco Estrelas a controlar o Parlamento - por isso a urgência. O Partido Democrático, que hoje tem a maioria no Parlamento, prefere que o sistema volte a ser proporcional, após essa reforma. O Cinco Estrelas e o Liga Norte criticaram, no domingo, a nomeação de Gentiloni.

REFERENDO
A renúncia de Renzi ao cargo de premiê foi motivada por sua derrota no domingo (4), quando quase 60% da população votou "não" no referendo que propunha uma reforma constitucional. Renzi queria diminuir o tamanho e as funções do Senado, reduzindo o número de senadores de 315 a 100. A Casa não poderia mais aprovar leis salvo casos como alterações na Constituição.

O voto foi entendido não apenas como uma rejeição à reforma constitucional, mas também como rejeição ao governo de Renzi, visto como incapaz de resolver os entraves à economia. O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 0,8% neste ano.

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