São Paulo - O ministro de Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, disse que o país retomará o controle das ilhas Malvinas em 20 anos. O arquipélago é disputado há 180 anos com o Reino Unido, que o chama de Falklands.
A declaração foi feita em entrevista publicada ontem pelos jornais ingleses "The Independent" e "The Guardian". Timerman está em Londres para encontros com membros do governo britânico para negociar o controle das ilhas.
Timerman, no entanto, recusou uma reunião com o chanceler britânico, William Hague, porque quis incluir os moradores das Malvinas, chamados de kelpers, na discussão. O argentino afirmou que não negociaria com os habitantes do arquipélago porque a disputa formal sobre as Malvinas é com o Reino Unido.
Para justificar a previsão de retomada do controle, Timerman disse que o mundo começa a perceber que a questão das Malvinas é um problema colonial. Ele acusou Londres de ser motivado por um "desejo fanático" por querer ficar com o arquipélago.
"É estranho ser acusado de fanatismo quando você vê recursos naturais sendo tirados de uma parte de seu país sob controle de uma potência estrangeira e você tenta negociar e é recusado. Acho que eles têm a tendência de ficar em lugares com recursos de outros povos."
Questionado sobre a presença de moradores das Malvinas nas discussões, ele disse que não os aceitaria porque não estão incluídos nas resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) que fazem menção à disputa territorial.
Timerman considerou ilegal o referendo que os moradores das ilhas querem fazer em março, para definir se devem ou não permanecer como território britânico.
Em nota, a Chancelaria britânica reiterou a negativa de Timerman de se reunir com Hague por causa da presença dos moradores das Malvinas nas negociações.

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