Chanceler da Rússia fixa seis condições para solução política
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quarta-feira, 21 de abril de 1999
ANSA 
O chanceler russo, Igor Ivanov, afirmou ontem em Moscou que são seis as principais condições para uma solução política do conflito de Kosovo, entre elas o fim imediato das operações militares e o regresso dos refugiados à província sérvia em completa segurança.
Num documento publicado pelo jornal francês Le Monde, Ivanov explicou que Moscou realizou consultas muito ativas, especialmente com os parceiros franceses, sobre os princípios de base sobre os quais construir uma solução para Kosovo. Estes princípios são o fim imediato de todas as operações militares e o fim da violência e da repressão.
Em segundo lugar estaria a retirada das forças militares e da polícia sérvia de Kosovo, acompanhada pelo afastamento das unidades militares e armamentos ofensivos da Otan enviados para a Macedônia e Albânia das fronteiras iugoslavas.
Em terceiro lugar, Ivanov assinalou o regresso, dentro da máxima segurança, de todos os refugiados atualmente fora de Kosovo, seja qual for sua nacionalidade e etnia. O chanceler citou a continuidade do livre acesso das organizações de ajuda humanitária internacionais ao território kosovar.
O quinto ponto está na abertura das negociações entre Belgrado e os líderes dos albaneses de Kosovo, em vista de um acordo político que conceda uma ampla autonomia a Kosovo, respeitando-se totalmente a soberania e integridade territorial da Iugoslávia. Para Ivanov, a última condição é uma contribuição à Iugoslávia, incluindo Kosovo.
A aplicação destes princípios envolve presença internacional cuja dimensão e missão deverão ser estabelecidas, esclareceu o chanceler russo, acrescentando que os ataques da Otan contra a Iugoslávia são um duríssimo golpe ao processo europeu, em cuja base estavam a Rússia e a França.
Segundo o chanceler russo, antes dos ataques da Otan não havia uma catástrofe humanitária comparável à atual e tampouco havia limpeza étnica. Ivanov reconheceu que o que antes era um problema de Kosovo agora transformou-se em uma tragédia iugoslava com grande número de mortos, centenas de milhares de refugiados e destruição deliberada do potencial econômico e cultural de um Estado soberano do centro da Europa.


