Chanceler chileno desconsidera risco de golpe
O ministro chileno das Relações Exteriores, José Miguel Insulza, disse ontem que o Chile não corre qualquer risco de golpe de Estado militar se o ex-ditador, Augusto Pinochet, atualmente preso em Londres, for julgado em seu país.
Não estamos às portas de um (novo) 11 de setembro de 73 (quando o general Pinochet derrubou o presidente eleito, Salvador Allende), disse Insulza ao jornal espanhol El Mundo.
Não há apoio social ou político para que ocorra um golpe. Não acredito que os militares ficariam tranquilos com um (possível) julgamento de Pinochet, mas não sei muito bem o que poderiam fazer, continuou.
O ministro tem defendido a idéia de um processo contra o ex-ditador no Chile, apesar do veredicto de quarta-feira da Câmara dos Lordes britânica, que deixou aberto o caminho para um processo de extradição de Pinochet para a Espanha.
Na Espanha, após a sentença dos lordes, Pinochet só pode ser julgado por torturas ou conspiração para tortura nos atos cometidos depois de 1988. No Chile, não há imunidade ou anistia que impeçam o julgamento dos atos que ele cometeu, alegou.
Insulza não descartou a possibilidade de seu governo fazer um gesto invocando razões humanitárias ante o ministro britânico do Interior, Jack Straw, que deverá se pronunciar sobre a continuidade do processo de extradição de Pinochet.
O governo não vai se deixar pressionar pelos partidos ou pelos representantes do exército que pedem que sejam iniciadas gestões ante Straw para que este rejeite a extradição de Pinochet para a Espanha, concluiu Insulza. (AFP)





