Chance de vida era remota, afirma médico brasileiro
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 1997
Paris 
A princesa Diana tinha poucas chances de sobreviver ao chegar ao hospital La Pitié-Salpetriere. A afirmação é do cirurgião cardiovascular Leonardo Esteves Lima, 32 anos, membro de uma das equipes que prestou atendimento à princesa. Lima é brasileiro e está na França há dez anos.
A princesa tinha 99% de chances de morrer no local do acidente. É surpreendente que ela tenha sobrevivido até chegar ao hospital, disse Lima. O cirurgião afirmou ter acompanhado o final do atendimento à princesa Diana no Pitié-Salpetriere.
Segundo ele, Diana morreu em decorrência da hemorragia provocada pelo rompimento da veia superior pulmonar esquerda, localizada no tórax. O rompimento da veia resultou em perda de sangue e em um ataque cardíaco. Lima contou que o atendimento de emergência consistiu na abertura do tórax da princesa e na reconstituição da veia.
Mesmo assim não foi possível reavivá-la. Ela já havia perdido muito sangue. Seu estado era muito grave, contou. A princesa Diana chegou em coma ao hospital e respirando por meio de aparelhos.
Além da reconstituição da veia, os médicos fizeram massagens cardíacas internas e externas. O atendimento durou duas horas. O médico Bruno Riou anunciou a morte de Diana por volta das 4h (23h de ontem no Brasil).
Ele não soube precisar o número de médicos que participou do atendimento. Nessa hora, todo mundo ajuda. Lima afirmou que Diana sofreu poucos ferimentos externos. Ela não estava desfigurada. O problema foi a hemorragia.
Especialistas médicos em Londres expressaram apoio a seus companheiros franceses afirmando que eles fizeram todo o possível para salvar a vida de Diana.
O serviço de ambulância francês, os paramédicos fazendo a imobilização (do pescoço da princesa) e os funcionários do hospital certamente fizeram o melhor serviço possível, afirmou o diretor do serviço de emergência do Royal Hospital de Londres, Alaistair Wilson.
O chefe da Unidade de Tratamento Intensivo do hospital francês, Bruno Riou, disse ontem que os médicos que cuidaram de Diana pararam de tentar reanimar o coração da princesa depois de uma grande hemorragia interna no peito.
Os médicos primeiro tentaram reanimar a princesa no local do acidente e, mais tarde, já no hospital, cirurgiões realizaram uma toracostomia para drenar a veia pulmonar superior esquerda.


