Chamado do pai frustra sonho de ser empresário
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sexta-feira, 24 de julho de 1998
Milton F. da Rocha Filho Agência Estado 
O futuro primeiro-ministro do Japão e presidente do poderoso Partido Liberal Democrático (PLD), Keizo Obuchi, morou no Brasil no início da década de 70, no bairro da Liberdade. Ele contou que veio ao Brasil pensando em iniciar por aqui um novo negócio, mas quando se estabelecia, o pai o chamou de volta para que se candidatasse a deputado pelo seu distrito eleitoral. No Japão há o voto distrital e ele se elegeu naquela ocasião, iniciando sua carreira política.
Obuchi contou tudo isto ao economista Paulo Yokota, um dos líderes da colôniajaponesa no País. Yokota disse ainda que foi ele quem permitiu que Hashimoto se tornasse o primeiro-ministro do país. Obuchi, na verdade, cedeu sua vez para Hashimoto, disse Yokota.
Obuchi, prosseguiu Paulo Yokota, foi, nos últimos anos, um nome forte dentro do PLD. Mas, depois de eleito deputado chegou a retornar ao Brasil, visitando os Estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul.
Sua visita mais recente ocorreu há um mês, em junho, quando veio comemorar os 90 anos da imigração japonesa no Brasil. Ele me disse que foi um bom agouro morar no Brasil. Ele gosta do País e entende que o Brasil pode se desenvolver muito, sendo um parceiro respeitável do Japão, afirmou Yokota.
A última visita de Obuchi ao Brasil, antes de ser eleito presidente do PLD e futuro primeiro-ministro do Japão, começou no dia 20 de junho, quando aqui chegou para a festividade dos 90 anos. Seguiu de imediato para o Paraná, onde participou das comemorações relativas aos 90 anos da imigração japonesa. A festa foi em Rolândia. Depois voltou para São Paulo, onde foi recepcionado pela colônia com uma festa no Anhembi e se encontrou com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Veio como ministro de Relações Exteriores do Japão. Eu alertei as autoridades que Keizo Obuchi, 61 anos, poderia ser eleito presidente do PLD e, portanto, futuro premier do Japão, explicou Paulo Yokota.


