Chacina mata 14 sérvios em Kosovo
Associated Press
De Gracko
Uma patrulha da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encontrou os cadáveres de 14 sérvios baleados em uma aldeia no centro de Kosovo, evidência do mais grave ato de violência na província desde a chegada das forças internacionais de paz no mês passado, informaram autoridades locais neste sábado.
As vítimas foram mortas à queima-roupa por desconhecidos. Os soldados foram até o local após ouvir um barulho contínuo de disparos e acharam os cadáveres perto de uma colheitadeira. Treze eram homens entre 30 e 45 anos. Um dos mortos tinha apenas 15 anos.
Os sérvios de Gracko culparam o Exército de Libertação de Kosovo (ELK) e a Kfor e disseram ter pedido havia uma semana proteção às tropas britânicas da força de paz, mas não foram ouvidos. Um porta-voz britânico, Ian Seraph, alegou ser impossível atender ao pedido porque há muitos camponeses na área. Oitenta famílias sérvias e duas albanesas coabitam sem problemas no povoado, a 30 quilômetros de Pristina.
Foi uma ação covarde, um assassinato brutal, a sangue-frio, contra cidadãos comuns que recolhiam a colheita de verão, disse o comandante da Kfor, o general britânico Michael Jackson. Ele garantiu que os responsáveis serão levados à Justiça. O secretário-geral da Otan, Javier Solana, condenou energicamente o crime e instou os residentes da província a evitar maior derramamento de sangue.
Quase diariamente se difundem notícias de ações violentas de albaneses étnicos - mais de 90% da população local - contra as minorias sérvia e cigana na região desde a chegada da Kfor.
Durante os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia, os albaneses fugiram de Kosovo com medo de massacres conduzidos por forças sérvias. Ao voltar, após a chegada da Kfor, muitos deles iniciaram ações de retaliação. O ELK condenou a matança e informou não acreditar que tenha sido uma ação de seus membros.
Em entrevista publicada ontem pelo jornal iugoslavo Politika, controlado pelo governo, o general do exército local Nebojsa Pavkovic acusou os mantenedores de paz internacionais na província de Kosovo de criar um vácuo de segurança que causou o êxodo dos sérvios.
A Kfor e a Missão da Onu em Kosovo têm a responsabilidade absoluta da matança de 14 sérvios no povoado de Gracko, disse ontem o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, em um comunicado publicado pela agência Tanjug.
A matança de Gracko é uma consequência direta da inadmissível desconsideração das resoluções do Conselho de Segurança da Onu e do acordo técnico-militar (entre a Otan e Belgrado) pela MINUK e a KFOR, informou o comunicado publicado pela Presidência iugoslava.
A responsabilidade absoluta por este crime horrível cabe à Kfor, declarou o presidente no comunicado divulgado pela Tanjug, depois de uma reunião entre Milosevic e os mais altos dirigentes do país.Patrulha da Otan encontra 14 cadáveres de camponeses sérvios mortos a tiros na aldeia de Gracko. Entre eles, um garoto de 15 anos
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