CGT confirma greve geral hoje
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terça-feira, 20 de março de 2001
Das AgênciasDe Buenos Aires 
A troca no Ministério da Economia na Argentina, agora sob o comando de Domingo Cavallo, não encerrou os protestos iniciados na sexta-feira, quando o então ministro Ricardo López Murphy anunciou medidas de ajuste às províncias e para a educação. Segundo o jornal Clarín, cerca de mil desempregados protestavam na Praça de Maio ontem à tarde, liderados por sindicalistas da Confederação dos Trabalhadores Argentinos (CTA), da ala dissidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e da Corrente de Classe e Combativa (CCC).
Os protestos eram contra os planos econômicos anunciados pelo governo e de questionamento a Domingo Cavallo. O líder da CGT dissidente confirmou a greve geral marcada para hoje, que tem adesão da CTA e da CCC, e disse que deixará a capital federal sem coletivos. A CGT oficial, no entanto, não informou se participará da paralisação.
Repúdio à ditaduraParalelamente, uma série de eventos, que incluem marchas, homenagens, espetáculos, mostras, publicações e recitais se multiplicarão esta semana na Argentina, especialmente em Buenos Aires, culminando com uma mobilização, convocada por 200 associações de bairros, grêmios estudantis e partidos políticos, no sábado, 24 de março, quando se completam 25 anos do golpe de Estado que instaurou uma sangrenta ditadura na Argentina. A mobilização na Praça de Maio, convocada pelo Encontro 25 anos, Memória, Verdade e Justiça, será feita sob o lema O poder econômico e os governos de ocasião garantiram a continuidade do genocídio impune de ontem com o genocídio de hoje. Basta de impunidade. Basta de fome, entrega, desemprego e repressão. Façamos de 24 um dia de luta.
Assim, culminarão os atos em repúdio à última ditadura (1976-83) que deixou como saldo 30.000 desaparecidos, segundo os órgãos humanitários (11.000 denúncias oficiais); 500 menores sequestrados (240 denúncias, 70 encontrados) e 1,5 milhão de exilados.
Mostras de livros, CDs com poemas, murais comemorativos, rádios abertas, reuniões de poetas, mesas-redondas, balões nas escolas e exposições de artistas plásticos multiplicam as homenagens.
No começo do mês, um juiz declarou inconstitucionais as leis de anistia, chamadas de Ponto Final e Obediência Devida, que isentavam de culpa 1.200 militares na Argentina, e abriu as portas para novos julgamentos em decorrência das violações dos direitos humanos durante a ditadura. O juiz Gabriel Cavallo determinou a inconstitucionalidade e invalidez dessas leis o que equivale de fato a declará-las nulas.
A possibilidade de uma confusão entre as manifestações que rememoram a ditadura e os protestos contra o novo pacote econômico é grande. A anunciada greve que pode paralisar boa parte da atividade e o risco de protestos mais graves são motivos adicionais de temores para um Governo já cheio de problemas.


