Ceticismo diante da trégua do ETA
A Espanha recebeu com certo otimismo, mas também com muita prudência, o anúncio de trégua ilimitada da organização separatista basca ETA, esperando que esta decisão abra o caminho para a paz no País Basco.
A trégua da ETA, anunciada quarta-feira à noite para ter validade a partir de hoje, constitui o primeiro cessar-fogo ilimitado anunciado pelos separatistas radicais em trinta anos de luta armada.
Elemento considerado muito positivo, a suspensão da atividade armada - termo utilizado em seu comunicado - por parte da ETA tem um caráter incondicional, embora a organização independentista tenha assinalado que não entregará suas armas e manterá toda sua infra-estrutura de logística e de defesa.
A ETA justificou sua decisão pela iniciativa de paz lançada pelo conjunto dos nacionalistas bascos sábado pássado e pela necessidade de contribuir para o novo cenário político de diálogo antes de entrar em um caminho de soberania do País Basco.
Embora já fosse esperada nos últimos dias, a trégua da ETA, organização responsável pela morte de 769 pessoas desde 1968, provocou um alívio generalizado, tanto na classe política como entre a população.
A trégua é uma boa notícia porque tem um elemento de alivio se pensarmos em todas as possíveis vítimas que podem ser poupadas, reconheceu Gabriel Cisneros, dirigente parlamentar do Partido Popular (PP, conservador, no poder), contrário ao nacionalismo basco.
Mas as reações dos partidos políticos variam entre o otimismo e a prudência.
Estamos no princípio de uma nova etapa e esta nova situação está carregada de esperança, declarou a porta-voz do governo basco dirigido pelos nacionalistas, Mari Carmen Garmendia.
O governo central, conservador, se mostrava ao contrário muito mais prudente. É preciso encarar a decisão da ETA com prudência, pois não é a primeira vez que há uma trégua desta organização armada, afirmou o ministro de Assuntos Exteriores, Abel Matutes, em uma primeira reação do executivo.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), principal partido de oposição e contrário, como o PP, às teses nacionalistas, está na mesma sintonia do governo.
É preciso analisar com prudência e com cautela a trégua da ETA, que põe os partidos democráticos ante uma oportunidade, mas também ante um risco, declarou o porta-voz do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba.
Aproveitaremos a oportunidade para lembrar à ETA que a paz, como os cidadãos a reivindicam, significa o abandono definitivo da violência, advertiu.
Em Lima, onde se encontra em visita oficial, o primeiro-ministro espanhol reagiu com ceticismo ao anúncio: Esse grupo terrorista não merece confiança. Depois de décadas de atividades terroristas, não podemos dar à ETA o benefício da dúvida, acrescentou o primeiro-ministro espanhol.France PresseO primeiro-ministro espanhol (na foto com o presidente do Peru) não mostra entusiasmo com a tréguaPascal Reynard
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