Arquivo FolhaConfiançaGerry Adams, líder do Sinn Fein: negociaçãoO Exército Republicano Irlandês (IRA) anunciou ontem que o ‘‘restabelecimento inequívoco’’ do cessar-fogo, suspenso há 17 meses, entrará em vigor hoje ao meio-dia, segundo um comunicado à rádio-televisão irlandesa, que causou imediatas reações de otimismo em Londres e Dublin. O cessar-fogo, interrompido em fevereiro do ano passado, deveria permitir, depois de um período de prova de seis semanas, a participação do Sinn Fein, braço político do IRA, nas conversações anglo-irlandesas sobre o futuro do Ulster.
‘‘Queremos uma paz permanente e para isso estamos dispostos a intensificar a busca de uma solução democrática através de negociações reais’’, que incluam todos os partidos, afirma o comunicado do IRA, difundido durante uma interrupção dos programas da rádio-televisão irlandesa às 9h15 locais (5h15 de Brasília).
Em uma primeira reação ao anúncio do IRA, o Primeiro-Minisro britânico Tony Blair estimou ontem que ‘‘está criada uma nova atmosfera de esperança para a paz e para um acordo político na Irlanda do Norte’’. Por sua parte, o primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, disse que considera o cessar-fogo como ‘‘permanente’’, embora o IRA não tenha mencionado esse termo.
O IRA anunciou ‘‘uma suspensão completa das operaçõs militares a partir deste domingo 20 de julho de 1997 ao meio-dia’’ e ‘‘um restabelecimento inequívoco do cessar-fogo de agosto de 1994’’. Precisa que todas as suas unidades já receberam instruções nesse sentido.
Consultado sobre a ausência da palavra permanente no comunicado do IRA, Ahern respondeu: ‘‘Há um restabelecimento inequívoco do cessar-fogo. Desnecessário dizer que entendemos que é permanente’’. O anúncio do IRA foi feito quase imediatamente depois do apelo a cessar-fogo feito sexta-feira ao IRA pelo líder do Sinn Feinn, Gerry Adams, que se declarou convencido de obter uma resposta positiva.
Em fevereiro do ano passado, o IRA rompeu o cessar-fogo que havia proclamado em agosto de 1994. O comunicado difundido ontem lembra, contudo, que o IRA, que reclama uma Irlanda unificada, tem como objetivo ‘‘pôr fim ao Governo britânico na Irlanda’’, o que no seu entender é ‘‘a causa profunda da divisão e do conflito’’ no Ulster.
Já sexta à noite, os unionistas expressaram sua desconfiança em relação ao cessar-fogo do IRA, que constitui, em sua opinião, uma ‘‘armadilha’’ destinada a permitir ao Sinn Fein participar nas negociações de fundo sem que o exército clandestino deponha as armas.
Os unionistas, que acusaram o governo de Tony Blair de ‘‘rendição ante as exigências republicanas’’, ameaçaram votar na quarta-feira contra as propostas anglo-irlandesas sobre o prosseguimento do processo de paz. Em um quarto de século, o conflito na Irlanda do Norte causou cerca de 3.200 mortos e 37 mil feridos.

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