Cerimônia única para pessoa única
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
France Presse Londres 
France PresseJornalistas fazem plantão diante de Westminster: local da despedidaOs funerais de Diana, organizados por sua família e pelo Palácio de Buckingham, que aceitou renunciar à rigidez do protocolo, serão uma cerimônia única para uma pessoa única. O féretro com os restos mortais da princesa sairá hoje às 9h08 locais (5H08 de Brasília), do Palácio de Kensington, para onde será levado do Palácio de Saint James.
O féretro percorrerá o trajeto entre Kensington e a abadia de Westminster, onde será oficiado o funeral, ao som de um canhão, passando ante os monumentos mais célebres de Londres. Durante o cortejo, que durará cerca de duas horas, o campanário de Westminster assinalará cada minuto com o tocar de sinos.
Quando chegar a Mall, a avenida que liga o Buckinghan Palace a Trafalgar Square, 533 pessoas representantes das 106 organizações de caridade apoiadas por Diana se unirão à comitiva fúnebre. Nesse lugar, o príncipe de Gales e seus filhos, William e Harry, poderão, se assim decidirem, unir-se ao cortejo.
A chegada à abadia está prevista para as 10H55 locais (6H55 de Brasília), e cinco minutos depois, na presença de 1.900 convidados, começará a cerimônia com o hino nacional God save the Queen. O reverendo Wesley Carr pronunciará suas palavras de homenagem à princesa e, em seguida, todos os presentes cantarão o hino I vow to thee, my country (A ti me consagro, meu país), um dos preferidos de Diana, e o mesmo que escolheu para seu casamento na catedral londrina de Saint Paul, em 1991.
Lady Sarah McCorquodale, uma das irmãs da princesa, lerá, em seguida, um poema e a soprano Lynne Dawson cantará um fragmento do Réquiem de Giuseppe Verdi. A outra irmã de Diana, lady Jane Fellowes, recitará também um poema.
O primeiro-ministro Tony Blair lerá depois uma passagem da epístola de São Paulo aos Coríntios e, depois, o cantor Elton John cantará Candle in the wind (Vela no vento), inicialmente composta em memória da atriz Marilyn Monroe e cuja letra foi modificada para a ocasião.
O conde Spencer pronunciará também uma homenagem a sua irmã, cujo conteúdo não foi divulgado, ao contrário dos demais textos que serão lidos. O arcebispo de Canterbury lerá, em seguida, as preces. O arcebispo mencionará os nomes de Dodi Al Fayed e de Henri Paul, o chofer do carro em que os três encontraram a morte. Para que todos os britânicos possam participar, a imprensa do país publicará neste sábado o libreto do funeral.
Ao final da cerimônia, que durará cerca de uma hora, o féretro será conduzido até a saída da igreja, onde o coro cantará uma composição moderna do britânico John Taverner, com letra extraída de Hamlet, de Shakespeare, e do rito funerário ortodoxo. O cortejo vai parar apenas na entrada da igreja para observar um minuto de silêncio, que será respeitado em todo o País, a pedido da família real. Em seguida, o féretro será colocado num carro e levado a Althorp.
A primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton, partiria ontem à noite com destino a Londres para representar o presidente Clinton e milhões de americanos em seu luto pela princesa Diana. Hillary, que deixa as férias da família na localidade de Marthas Vineyard, chegaria a Londres nesta manhã para participar da cerimônia na Abadia de Westminster. O presidente não foi convidado para o serviço fúnebre porque o evento não é uma cerimônia oficial.
Últimos momentosA família Al Fayed difundiu ontem em uma entrevista coletiva oferecida em Londres imagens de Diana de Gales e Dodi Al Fayed jantando no Hotel Ritz de Paris no sábado antes do acidente no qual os dois morreram.
As imagens foram feitas no interior do hotel, de propriedade de Mohamed Al Fayed, pai de Dodi. Nelas, aparecem Diana e Dodi chegando ao Ritz, entrando no restaurante e, mais tarde, importunados pela curiosidade dos presentes, saindo da sala de jantar para se dirigirem à suíte imperial, onde continuaram jantando.
Em outra sequência, pode-se ver o motorista do casal, Henri Paul (que também morreu no acidente) chegando ao hotel, onde, segundo os Al Fayed, acabava de ser chamado para dirigir o Mercedes do casal para o apartamento de Dodi.
Na mesma entrevista coletiva, um professor de medicina legal, Peter Vanezis, enviado pela família Al Fayed a Paris para estudar a autópsia e os exames feitos no motorista não são confiáveis nem convincentes. Mohamed Al Fayed, que se disse demandante, já recorreu das conclusões da Justiça francesa em relação ao alto estado de embriaguez do motorista, que era seu empregado.


