São Paulo - Um ano depois da tragédia de Beslan, o sofrimento ecoou pela escola da cidade da Ossétia do Norte (Rússia) onde foram mortas 190 crianças mantidas como reféns, num total de 335 mortos.
Milhares de pessoas carregando cravos vermelhos tomaram a escola e depois seguiram para o cemitério de Beslan. Muitas acusaram o governo russo de mentir, ser incompetente e decepcioná-los. Em 3 de setembro de 2004, depois da invasão da escola dois dias antes por terroristas tchetchenos, foi ordenada a retomada dela, na qual ocorreu a tragédia.
Moradores de Beslan acusam ainda as autoridades de não investigar o que ocorreu e de proteger culpados. Dizem também que os terroristas chegaram à cidade subornando policiais. Um grupo de parentes de vítimas exibiu uma petição, pedindo asilo ''em algum país democrático onde os direitos humanos são respeitados''.
A diretora do Comitê de Mães, Susanna Dudiyeva, disse que um grupo viajaria hoje a Moscou para tentar entregar suas queixas ao presidente Vladimir Putin e que ele não era bem-vindo ontem. Outro alvo de protestos foi a ex-diretora da escola, que teve de ser levada embora quando tentou participar da cerimônia. Ela é acusada em Beslan de ter cooperado com os terroristas, o que nega.
Putin se pronunciou ontem em homenagem às vítimas de Beslan, mas também fez questão de transferir responsabilidades aos terroristas tchetchenos. ''Vamos deixar de dizer palavras que talvez sejam corretas mas supérfluas e apenas ficar em silêncio por alguns segundos. Vamos nos lembrar das crianças, que morreram e sofreram nas mãos dos terroristas.''
A polícia adotou medidas de segurança em Beslan para o dia das homenagens. A entrada na escola só foi permitida depois da passagem por detectores de metal. Durante a cerimônia religiosa, alguns dos presentes colocaram velas e bichos de pelúcia perto das paredes.

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