Auschwitz - Uma grande cerimônia no próximo dia 27 de janeiro vai lembrar os 60 anos da libertação, pelas tropas soviéticas, do maior campo de concentração e extermínio nazista: Auschwitz-Birkenau, na Polônia. Cerca de 10.000 pessoas, entre elas 40 dirigentes mundiais, assistirão ao evento. Pelo menos 2.000 ex-deportados e soldados russos que participaram da libertação deste campo se reunirão em Birkenau-Auschwitz II, onde ficava a ''indústria da morte'', como demonstram os restos de quatro fornos crematórios e câmaras de gás destruídos pelos nazistas antes de abandonarem o local.
Estas vítimas e heróis se encontrarão novamente ao redor do memorial internacional ''sem dúvida pela última vez'' para alguns deles, segundo Andrzej Przewoznik, secretário do Conselho Nacional de Proteção dos Monumentos e Locais de Martírio. A seu lado estarão 19 presidentes, liderados pelo russo Vladimir Putin, encarregado do discurso em nome dos ''libertadores'' do campo, o israelense Moshe Katzav, que falará em nome dos 1,1 milhão de judeus exterminados nesse local, e o presidente polonês Aleksander Kwasniewski, em nome de seu país.
Entre os convidados estarão oito primeiros-ministros, acompanhados pelos presidentes da Comissão Européia, José Manuel Barroso, e do Parlamento Europeu, Joseph Borell, além da rainha Beatriz da Dinamarca e o rei Albert II da Bélgica. O Papa João Paulo II será representado pelo cardeal Jean-Marie Lustiger, arcebispo de Paris. A ex-presidente do Parlamento Europeu e ex-ministra francesa Simone Veil falará em nome dos deportados judeus, Wladyslaw Bartoszewski em nome dos não-judeus, e o presidente do Conselho dos Ciganos da Alemanha, Romani Rose, em nome dos ciganos, a segunda comunidade depois dos judeus que os nazistas queriam exterminar.
Além das várias cerimônias dos dias 26 e 27 de janeiro em Oswiecim, cidade polonesa onde ficavam os campos de Auschwitz, e em Cracóvia, que fica a cerca de 60 km de distância, ''deverão ser realizadas reuniões bilaterais de todo o tipo'', segundo as autoridades polonesas.
Na manhã de 27 de janeiro, o Congresso Judeu Europeu, o memorial de Yad Vashem de Jerusalém e o ministério da Cultura polonês organizam o fórum ''Let my people live'' (Deixe meu povo viver) entre jovens do mundo inteiro e convidados famosos, como o ex-deportado e escritor judeu Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz 1986.
Entre 1940 e 1945, pelo menos 1,1 milhão de homens, mulheres e crianças judeus e centenas de milhares de não-judeus procedentes dos países europeus ocupados pelos nazistas morreram em Auschwitz-Birkenau, segundo os historiadores. Entre eles havia 85.000 poloneses, 20.000 ciganos e 15.000 soviéticos. Quando libertaram o campo de concentração e extermínio, os soldados soviéticos descobriram cerca de 7.000 prisioneiros com vida. Os que estavam em melhor estado físico haviam sido obrigados a ajudar na fuga de seus carrascos nazistas. Durante a operação morreram 230 soldados soviéticos.

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