Cerca de 30 mil estão sob escombros
Associated Press
De Istambul
Equipes de resgate salvaram ontem um garoto de oito anos que ficou preso por mais de dois dias nas ruínas de sua casa, mas as esperanças estão acabando para estimadas 30 mil pessoas soterradas em meio aos escombros do devastador terremoto que abalou a Turquia.
O primeiro-ministro turco Bulent Ecevit reconheceu que não será possível às equipes de resgate chegar a muitas pessoas desaparecidas sob os escombros antes que elas morram por abandono ou sede. Milhares de prédios estão em ruínas, disse ele. Não é possível salvar todos.
Em Istambul, houve pânico depois de especialistas do instituto sismológico turco Observatório Kandilli informarem que houve cerca de 210 tremores secundários nesta quinta-feira e havia evidências de atividade sísmica anormal na Baía de Gemlik, no sul de Istambul.
Moradores eram vistos caminhando pelas ruas carregando travesseiros e sacolas, mas as pessoas no centro da cidade não sentiram os reflexos.
O prefeito de Istambul, Erol Cakir, alertou os moradores. A partir do momento em que os tremores continuam, queremos que nossos cidadãos estejam um pouco mais atentos, afirmou Cakir.
O prefeito de Bursa, Ohran Tasanlar, pediu aos residentes que durmam do lado de fora de suas casas. Bursa é uma grande cidade no noroeste da Turquia.
O número de mortos subiu para 7.085 segundo o último boletim oficial nesta quinta-feira, com cerca de 33 mil feridos, anunciou o governo.
Segundo a agência de notícias Anatolia, o governo da Turquia encomendou 10 mil sacos para acomodar cadáveres. A encomenda foi solicitada para o caso de haver mais vítimas fatais do terremoto.
Na região do desastre, no oeste da Turquia, o odor de corpos em decomposição pairava no ar. Ecevit disse que as autoridades acelerariam o enterro dos cadáveres para evitar a disseminação de doenças.
Em Adapazari, uma das cidades mais atingidas, funcionários do governo sepultaram 963 pessoas em valas comuns. Eles fotografaram cada um dos mortos para que mais tarde eles pudessem ser identificados por suas famílias.
Equipes de ajuda provenientes de Alemanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Kuwait e Israel começaram a trabalhar ou chegaram à Turquia nesta quinta-feira.
Mas estradas danificadas e pontes derrubadas atrapalharam a assistência e muitos agentes humanitários reclamavam da desorganização dos esforços.
No aeroporto de Istambul, uma equipe humanitária alemã sofreu um pequeno atraso quando seu equipamento e três dos 11 colegas alemães se perderam. Uma unidade de resgate de elite israelense foi obrigada a perguntar a civis qual o caminho para chegar às àreas devastadas.
Há um problema de coordenação em todos os níveis entre os que ajudam, reclamou o brigadeiro Arieh Eldad, médico oficial chefe do exército de Israel. Mas ele acrescentou rapidamente que em uma catástrofe desse tipo seria surpreendente que eles estivessem totalmente organizados.
Equipes de resgate trabalhavam freneticamente nesta quinta-feira para resgatar pessoas presas nos escombros há mais de dois dias. É muito claro que quanto mais tempo passa, menores são as chances de encontrarmos sobreviventes, disse Helge Kvam, porta-voz da Federação Internacional da Cruz Vermelha e da Sociedade Crescente Vermelha, em Genebra. Ele acrescentou que, normalmente, 99% das vítimas são resgatadas com vida dentro das primeiras 48 horas seguintes a um desastre dessa proporção.
Em Golcuk, também uma das cidades mais atingidas, agentes humanitários cavaram os escombros com as próprias mãos e salvaram um garoto de oito anos chamado Goktug, informou a agência de notícias Anatolia.
Na cidade portuária de Yalova, nas proximidades de Golcuk, uma equipe militar de resgate francesa composta por 60 membros encontrou Elmas Kizilkaya com seu tornozelo preso sob os escombros. Talvez nós tenhamos de amputar o pé dela, analisou o capitão Jean-Marc Castagnet, líder da equipe francesa. Mais tarde, especialistas franceses conseguiram tirá-la dos escombros em boas condições, sem precisar amputar seu pé.
As equipes de resgate norte-americanas trabalharam nesta quinta-feira para libertar uma garota de cinco anos, uma mulher de 24 e um homem de idade não determinada em meio aos escombros em Izmit, informou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional David Leavy em Washington.
Mais de 70 especialistas norte-americanos estavam na região e outra equipe composta por 24 pessoas era esperada para chegar ainda ontem. Três navios da Marinha norte-americana com 2.100 Marines e mil marinheiros foram enviados para ajudar as equipes.
Cinco norte-americanos estavam entre os mortos, informou o Departamento de Estados dos EUA. Nenhum nome ou detalhe sobre as vítimas foi imediatamente fornecido.
Bombeiros turcos conseguiram controlar nesta quinta-feira um incêndio na maior refinaria de petróleo do país, informou o governo. O ministro do Trabalho, Yasar Okuyan, disse que grande parte do combustível da usina queimou. Bombeiros ainda combatiam as chamas, mas havia poucas ameaças de que o fogo se espalhasse para outros tanques, acrescentou. Os prejuízos são extremamente elevados. Toda a região da Grande Istambul já sofre as consequências da falta de gasolina.Tempo está acabando para os soterrados pelo terremoto de terça-feira na Turquia. Último boletim aponta 7 mil mortos
France PresseMorteUm homem recolhe corpo de criança num ginásio de Izmit após identificação. Segundo a agência Anatolia, o governo encomendou 10 mil sacos para cadáveres





