Centro-direita vence eleição na Itália
Associated Press
De Roma
O presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, rejeitou ontem pedido de renúncia do primeiro-ministro de centro-esquerda Massimo DAlema, que sofreu uma grande derrota para os conservadores de Silvio Berlusconi nas eleições regionais italianas de domingo.
Vou pedir um voto de confiança ao Parlamento para meu governo, disse o primeiro-ministro em breve entrevista à imprensa. Seria um erro dissolver as duas Câmaras neste momento (as eleições gerais ocorrerão em abril de 2001), acrescentou ele referindo-se a uma exigência do Pólo da Liberdade, liderado por Berlusconi;
A derrota de DAlema é atribuída pelos analistas, entre outras coisas, à inoperância do governo em várias áreas e também às profundas divisões existentes no interior da coalizão. Na prática, o governo não conseguiu realizar nenhuma reforma constitucional profunda nem mesmo a das aposentadorias e irritou boa parte do país com sua política imigratória, considerada muito flexível.
Os conservadores do Pólo da Liberdade, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, venceram em 8 (no norte, centro e até sul do país) das 15 regiões, onde ocorreram eleições para governador: Lombardia (capital Milão), Piamonte (Turim), Vêneto (Veneza), Apulia (Bari), Ligúria (Gênova), Abruzos (Pescara) e Calábria (Catanzaro). A coalizão de centro-esquerda impôs-se em Molise, Emilia Romana (Bolonha), Toscana (Florença), Umbria (Perusa), Las Marcas (Ancona), Basilicata (Potenza) e Campânia (Nápoles).
A dimensão da vitória da direita é incontestável. Berlusconi e seus aliados controlam agora as áreas mais ricas e populosas do país com 32 milhões de habitantes. A esquerda retém regiões mais pobres e com menor número de habitantes cerca de 17 milhões. Em alguns deles, a vitória da coalizão foi bastante apertada, como em Molise: a direita perdeu ali por uma diferença de 650 votos.
DAlema admitiu que cometeu um erro de cálculo. Ele esperava pelo menos manter as nove regiões que controlava antes das eleições de domingo. A derrota da coalizão de centro-esquerda é ainda mais significativa quando se sabe que os novos governadores terão maior autonomia administrativa de Roma resultado da nova legislação de cunho federalista aprovada no ano passado.
A campanha eleitoral foi marcada pela violência verbal, até mesmo com trocas de ofensas. DAlema é o mais comunista de todos os comunistas, disse Berlusconi em um de seus últimos discursos, referindo-se ao passado do adversário como líder do antigo Partido Comunista Italiano e de seus aliados da Refundação Comunista.
Condenado em primeira instância em vários processos por fraude fiscal e suborno, Berlusconi, que voltou a se aliar com o polêmico Umberto Bossi, líder separatista do norte da Itália, tornou-se alvo fácil dos críticos.
DAlema deverá submeter seu governo a um voto de confiança do Parlamento depois da Páscoa. Os analistas não descartam a possibilidade de ele perder também no plenário. A coalizão governista tem maioria apertada e muitos aliados do governo estão descontentes com DAlema. Nesse caso, Ciampi poderia designar um novo primeiro-ministro.
Vários líderes políticos de direita pediram ontem a renúncia do premier DAlema, entre eles o líder separatista da Liga do Norte, Umberto Bossi, e o dirigente histórico da Aliança Nacional, de direita, Gianfranco Fini.O partido do conservador Silvio Berlusconi ganha em 8 das 15 regiões; o premier Massimo DAlema pede renúncia, rejeitada pelo presidente
France PresseDERROTAO primeiro-ministro da Itália, Massimo DAlema: Vou pedir um voto de confiança ao Parlamento





