Cabul - Centenas de pessoas, entre elas muitos mujahedins, receberam ontem no aeroporto de Jalalabad (leste), o corpo do vice-presidente afegão Abdul Qadir, morto a tiros sábado quando estava saindo de seu escritório, em Cabul.
O corpo de ''Haji'' Qadir chegou ontem de manhã à capital da província de Nangarhar, da qual era governador, num helicóptero da força internacional de segurança, junto aos corpos de dois guarda-costas, também assassinados no sábado.
Do aeroporto, o corpo foi levado à casa de Abdul Qadir num veículo militar, com um cortejo de 300 soldados. Mais tarde, foi enterrado no mausoléu da família, junto ao corpo de seu irmão Abdul Haq, que, assim como Qadir, foi um importante dirigente dos ''mujahedins'' que lutaram contra a ocupação soviética nos anos 80.
A chegada do corpo do vice-presidente ocorreu em meio a um grande esquema de segurança em Jalalabad e nas principais estradas entre Cabul e o leste do país.
Teme-se que a morte do governador da província, um dos pastuns mais influentes do Afeganistão, depois do presidente Hamid Karzai, ameace a estabilidade da região e de todo o país.
Antes de o corpo ser levado a Jalalabad, foi realizada uma cerimônia religiosa na mesquita Eidga de Cabul, que contou com a presença de milhares de pessoas, entre elas o presidente Karzai, membros do governo de transição e o ex-rei Zahir Sha.
Abdul Qadir, que também era ministro de Obras Públicas, foi assassinado a tiros por dois desconhecidos quando estava saindo de seu escritório, na sede do Ministério. Os assassinos fugiram de carro.
Senadores americanos estimaram ontem que o assassinato do vice-presidente afegão demonstra que os Estados Unidos devem continuar presentes no Afeganistão até que o poder central no país esteja consolidado.
''Este assassinato definitivamente representou um retrocesso no Afeganistão e um revés para o estabelecimento de uma nova ordem no país'', disse o senador democrata Bob Graham, diretor do Comitê de Inteligência do Senado, em entrevista à rede NBC.

mockup