São Paulo - Pelo menos 104 pessoas já morreram na Líbia desde o início da mobilização popular contra o regime do ditador Muamar Kadhafi, na última terça-feira. A informações é da organização Human Rights Watch, citando fontes médicas e testemunhas. Já o Departamento de Estado americano anunciou ontem ter informações confiáveis de que haveria ''centenas'' de mortos e feridos na Líbia e pediu às autoridades de Trípoli que autorizem manifestações pacíficas, seguindo recomendação feita mais cedo pela União Europeia.
''Os Estados Unidos estão muito preocupados com os informes alarmantes e imagens procedentes da Líbia'', disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, em um comunicado. ''Estamos investigando para confirmar os dados, mas recebemos muitos informes confiáveis que dão conta de que centenas de pessoas morreram ou ficaram feridas nestes dias de distúrbios, e que ainda não se conhece o número de mortos devido à falta de acesso da imprensa internacional e de organizações humanitárias'', acrescentou.
Um médico na cidade de Benghazi afirmou à Associated Press que viu pelo menos 200 corpos de manifestantes mortos pelas forças de segurança de Kadhafi nos últimos dias. Testemunhas afirmam que uma mistura de soldados de elite, mercenários estrangeiros e apoiadores de Gaddafi atacaram os manifestantes com facas, rifles e armas de fogo mais pesadas. Os protestantes marchavam em luto pela morte de outras 35 pessoas causada pelos ataques das forças de segurança na sexta-feira.
Benghazi vem sendo o centro da revolta dos líbios contra o ditador, que está há 42 anos no poder. O movimento, que já dura seis dias, foi inspirado pela queda dos governantes no Egito e na Tunísia. O médico ouvido pela AP afirmou que o hospital, um dos dois de Benghazi - a segunda maior cidade do país, está sem suprimentos e não pode tratar os mais de 70 feridos que foram atingidos nos ataques e precisam de cuidados. ''Eu estou chorando'', o médico afirmou. ''Por que ninguém está ouvindo?''
O governo não divulgou nenhum número sobre vítimas nem fez comentários oficiais sobre a violência. Conseguir detalhes concretos sobre os protestos na Líbia vem sendo difícil porque os jornalistas não podem trabalhar livremente no país. Informações sobre a revolta chegam por entrevistas pelo telefone, junto com vídeos e mensagens postados na internet, e também por meio de ativistas da oposição exilados do país.
Observadores da Líbia dizem que uma revolta no estilo do Egito é improvável, porque Kadhafi tem dinheiro do petróleo para aliviar os problemas sociais, e ainda é respeitado em grande parte do país.

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