Centenas de prisões após o ataque a Udai Hussein
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de dezembro de 1996
Reuter 
AMÃ - Membros da oposição iraquiana no exílio afirmaram ontem que centenas de pessoas já foram detidas pelo serviço secreto de Saddam Hussein por suspeita de envolvimento no atentado de quinta-feira em Bagdá contra o filho mais velho do presidente, Udai.
Segundo essas fontes, Udai foi seriamente ferido na cabeça e seu estado é grave, ao contrário do que tem informado a imprensa oficial iraquiana.
Segundo um porta-voz do grupo oposicionista Acordo Nacional Iraquiano (ANI) em Amã, desde a noite de quarta-feira foram detidos cerca de 200 soldados da Terceira Brigada da Guarda Republicana e um grande número de moradores do bairro de Al-Mansour - onde ocorreu o atentado. A Guarda Republicana (força de elite do regime) é comandada pelo filho mais novo de Saddam, Qusay.
Ex-funcionários iraquianos, analistas e diplomatas especularam que a tentativa de assassinato pode ter sido cometida tanto por oposicionistas como por membros do círculo interno do poder em Bagdá - já que Udai, descrito como sanguinário e sedento de poder, tinha inimigos em toda parte. Mas um ex-chefe da espionagem iraquiana, Wafiq al-Samerai, disse ontem haver indicações de que a primeira hipótese é a correta.
Segundo Samerai - que abandonou o Iraque em 1994 -, o ataque deve encorajar o lançamento de outros atentados, pois mostrou que há um furo no forte esquema de segurança do regime iraquiano. E o regime não pode impor medidas mais estreitas de segurança do que as já adotadas, acrescentou.
Testemunhas disseram que pelo menos dois pistoleiros atacaram o carro de Udai, ferindo o filho de Saddam e várias outras pessoas. Outras testemunhas, citadas pela oposição, afirmaram que os autores do atentado foram pelo menos cinco, estavam mascarados e usaram não só metralhadoras como também granadas.


