São Paulo - Embora o Egito tenha registrado um início de domingo mais calmo, os protestos no país logo foram retomados. Na praça Tahrir, no centro do Cairo, ao menos 3.000 manifestantes intensificaram as revoltas. Aos gritos de ''Mubarak, o avião aguarda'' e ''Hosni Mubarak, Omar Suleiman, vocês dois são agentes dos americanos'', milhares de jovens seguiram protestando.
Desde o início dos protestos na última terça-feira (25), o país já contabiliza ao menos 38 mortos, indica a CNN; agências internacionais, no entanto, sugerem que o número já seja maior e a Reuters menciona ao menos cem vítimas. A Al Jazeera, emissora com base no Qatar, fala em 150 mortos.
Enquanto isso, o ditador egípcio Hosni Mubarak reuniu-se com chefes do Exército para revisar a situação da segurança nacional, informou a TV estatal do Egito. De acordo com a emissora, o ditador e o vice-presidente Omar Suleiman (ex-chefe dos serviços de inteligência) visitaram o Centro de Operações das Forças Armadas e conversaram com o ministro da Defesa, o general Husein Tantaui.
No sábado, o ditador nomeou um vice-presidente pela primeira vez em 30 anos e também um novo premiê, com a missão de formarem um novo governo. O centro de imprensa do governo revelou que o novo premiê, Ahmed Shafic, deveria revelar ainda ontem seu novo gabinete de ministros. As fontes não indicaram em que horário seria realizado o anúncio, nem forneceram mais detalhes a respeito.
Líderes mundiais pressionam Mubarak por mudanças mais significativas do que a simples reformulação de seu gabinete. EUA, Reino Unido, França e Alemanha emitiram comunicados com o mesmo tom, afirmando que as alterações na política egípcia são insuficientes para o retorno da estabilidade.
Imerso na mais grave crise política das últimas décadas, o Egito enfrentou seu sexto dia de instabilidade. Apesar de o domingo ser um dia útil no mundo árabe, escolas, escritórios do governo, bancos e a bolsa de valores egípcia ficaram fechados.
Milhares de presos escaparam das prisões no país e relatos descrevem um cenário de guerra nas ruas do Cairo, Alexandria e Suez. Na ausência da polícia, casas, supermercados, lojas e empresas foram saqueadas, destruídas e incendiadas.
O Exército concentra-se sobretudo na repressão aos manifestantes e proteção dos prédios públicos, e durante a madrugada de ontem muitos moradores montaram barricadas em torno de suas casas para evitar saques.

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