Bogotá - A onda de violência entre guerrilheiros e paramilitares deixou pelo menos cem mortos em diversas regiões da Colômbia desde quarta-feira, dia da posse do presidente Alvaro Uribe, informaram ontem fontes oficiais.
O chefe da II Divisão do Exército, general Martín CarreÀo, destacou que pelo menos 20 paramilitares direitistas foram abatidos pelas tropas regulares num combate na noite de sexta-feira na cidade de Segovia (560 km ao norte de Bogotá, no departamento de Antioquia).
Segundo o comandante da II Divisão, o combate aconteceu quando soldados interceptaram um forte esquadrão paramilitar que opera no conturbado departamento de Antioquia, onde também agem os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN), arquiinimigos dos grupos de ultradireita.
Segovia fica perto da serra de San Lucas, onde, segundo CarreÀo, fortes combates entre um comando misto das Farc e ELN contra os paramilitares deixaram um saldo de 50 mortos nos últimos dias.
A serra de San Lucas, que cobre os departamentos de Antioquia e Bolívar, é um estratégico eixo de comunicação terrestre e fluvial entre a região do Caribe e o interior do país e onde existem cultivos de folha de coca a matéria-prima da cocaina , que os grupos ilegais buscam controlar, segundo os militares.
Os grupos paramilitares, que contam com cerca de 10 mil combatentes, lideram uma guerra de morte em diversas regiões do país contra as Farc (com 17 mil membros) e o ELN (4 mil).
Duas mulheres, incluindo uma vereadora do município colombiano de Milán, foram assassinadas na sexta-feira por guerrilheiros das Farc que invadiram a localidade. Segundo o governo, cinco policiais foram feridos.
A vereadora Fanny Alvarado foi tirada à força de sua casa e baleada na rua, de acordo com relatos de familiares da vítima, acrescentando que sobre o corpo foi deixado um cartaz, no qual os rebeldes explicavam o motivo da morte. Ela foi assassinada, porque se negou a renunciar ao cargo.
Com isso, sobe para sete o número de vereadores assassinados na Colômbia desde 17 de maio, segundo dados oficiais.
Os rebeldes também mataram uma mulher que, de acordo com as autoridades, era parente de dois prefeitos do Departamento de Caquetá.
Nomeações - O presidente Alvaro Uribe, designou na noite desta sexta-feira a nova cúpula militar colombiana, nomeando o general Jorge Mora para o comando das Forças Armadas.
Mora, que ocupava desde 1998 o comando do Exército, substituirá o general Fernando Tapias, que passará à reserva, revelou a ministra da Defesa, Martha Lucía Ramírez.
Conhecido como um oficial linha-dura, Mora foi um severo crítico das negociações de paz entre o governo de Andrés Pastrana e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Para a chefia do Exército, Uribe nomeou o general Carlos Ospina, mas manteve o general Héctor Velasco e o almirante Mauricio Soto nos comandos da Força Aérea e Marinha.
Finalmente, o general Euclides Sánchez foi nomeado para a chefia do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

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