Célula 'segura' ajuda roedor paraplégico
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segunda-feira, 05 de julho de 2010
Folhapress 
São Paulo - Roedores paralisados por lesões na medula espinhal voltaram a se movimentar, graças a células adultas reprogramadas para assumir um estado muito versátil, semelhante ao embrionário. O feito, obra de uma equipe japonesa, inclui um esquema para evitar que essas células saiam do controle, um dos grandes temores que ainda cercam o emprego terapêutico delas em pessoas. Antes de usar determinado grupo de células para tratar os camundongos paraplégicos, os cientistas verificaram se elas levavam à formação de tumores em outros bichos.
As que não produziram cânceres tiveram sucesso em recuperar a lesão na coluna das cobaias, relata a equipe na edição desta semana da revista científica ''PNAS''. Um dos autores da pesquisa, Shinya Yamanaka, é o pioneiro no estudo das chamadas células-tronco pluripotentes induzidas (ou células iPS, para encurtar).
Yamanaka e companhia têm mostrado que qualquer célula do corpo adulto pode ser forçada a adquirir uma ''síndrome de Peter Pan'', voltando à condição polivalente que tinha no início do desenvolvimento. Seria possível usar uma amostra de pele de um tetraplégico e ''convencer'' algumas das células nessa amostra a se tornarem pluripotentes, ou seja, capazes de assumir a função de qualquer tecido. Inclusive a do tecido nervoso destruído na lesão que paralisou a pessoa.
Assim, o paciente ganharia um transplante sem risco de rejeição, já que as células vieram do organismo dele. O plano soa perfeito, mas a transformação das células envolve a ativação de genes que, dependendo da situação, podem levar à indesejada formação de tumores. Para evitar isso, os cientistas primeiro produziram células iPS e depois usaram-nas para criar neuroesferas, agregados de vários tipos de células do sistema nervoso.


