Havana- O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) realizará a partir de hoje em Havana sua XXXI assembléia ordinária. É, no entanto, a primeira vez que o encontro acontece em um país socialista, prova da distensão das relações entre o governo comunista e a Igreja Católica em Cuba.
''Somos uma novidade no contexto da América Latina, já que nossa Igreja soube evagelizar mesmo em uma situação sócio-política diversa do restante do continente por estar em um país socialista'', disse o bispo auxiliar de Havana, Juan de Dios Hernández, ao anunciar a reunião.
Um total de 71 delegados da região foram recebidos ontem na Arquidiocese de Havana, liderada pelo cardeal Jaime Ortega, para inaugurar a reunião, informou o secretário adjunto da Conferência dos Bispos Católicos de Cuba (COCC), o sacerdote José Félix Pérez.
O encontro, que será encerrado na sexta-feira com missa na Catedral de Havana, acontece a portas fechadas na Casa Sacerdotal San Juan María Vianney - construída em 1917 e recém-restaurada. Presidente e secretário-geral de cada Conferência Episcopal nacional estarão presentes, afirmou Pérez.
Segundo Monsenhor Hernández, secretário-geral da COCC e delegado da Celam, a agenda da reunião tem três pontos: a eleição dos cinco bispos membros da presidência e outras autoridades do Conselho; a revisão de relatórios das Conferências Episcopais sobre a situação política, social, cultural e da Igreja em cada país; e uma análise das 'tarefas mais urgentes', programas e missões pastorais.
Essas tarefas e programas são resultado das linhas pastorais definidas na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada na cidade brasileira de Aparecida, em meados de maio passado.
Em entrevista divulgada no site da COCC, monsenhor Hernández disse que apesar de viver e trabalhar em um país socialista, a Igreja ''não perdeu a missão à qual nunca se pode renunciar, que é a missão evangelizadora''.
''A Igreja cubana conseguiu desenvolver esta missão. Aqui estamos, aqui estamos anunciando Jesus Cristo como discípulos e missionários do Evangelho. Nos sentimos, como nunca, em sintonia com a Igreja Latino-Americana e do Caribe'', enfatizou.
Durante quase cinco décadas, a Igreja Católica e o Governo do agora convalescente Fidel Castro passaram por duros enfrentamentos, como na década de 60, e períodos de convivência mais pacífica. A trégua atual começou após a visita do Papa João Paulo II, em janeiro de 1998.
A reunião de Havana ''é também uma maneira de apoiar nossa Igreja em Cuba, de dar sentido a seu caminhar por esta parte do mundo que é Cuba e ajudará a conhecer nossa realidade'', opinou monsenhor Hernández.

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