CCOLP adia proclamação de Estado
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de setembro de 2000
Associated Press Cidade de Gaza 
O principal órgão legislativo palestino decidiu ontem postergar a declaração de um Estado por pelo menos dois meses, numa tentativa de dar uma nova chance ao vacilante processo de paz, e determinou que sejam tomadas medidas concretas para a constituição de um Estado.
A decisão do Conselho Central Palestino foi tomada depois de dois dias de um longamente esperado debate, apesar de que era claro que a data final anterior de 13 de setembro seria adiada. O presidente do CCP, Salim Zanoun, disse que o órgão vai esperar agora por um relatório sobre progressos em relação ao Estado que deverá ser entregue em 15 de novembro, no 12º aniversário da simbólica declaração de um Estado palestino no exílio.
O conselho deixou claro que a postergação não terá vida longa, que é destinada a oferecer ao vacilante processo de paz um pouco de oxigênio.O adiamento não significa que Israel esteja livre da implementação de suas obrigações sob os acordos anteriores e as resoluções da ONU, afirmou-se no comunicado, lido por Zanoun.
Em Nova York, onde encontra-se em viagem, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, por intermédio de seu porta-voz, Gadi Baltiansky, considerou a decisão um passo positivo. Acreditamos que seja resultado da posição da comunidade internacional que se opõe a passos unilaterais que podem apenas ferir o processo de paz, afirmou Baltiansky.
Líderes mundiais haviam advertido Arafat que uma declaração unilateral iria não apenas colocar em risco o frágil processo de paz mas poderia também provocar violentos confrontos com Israel, que tem ameaçado com contramedidas em tal situação.
O povo palestino e a liderança palestina mantêm-se comprometidos com a opção da paz como uma escolha estratégica em ordem de alcançar justiça e uma ampla paz e em ordem de preencher o objetivo do povo palestino de autodeterminação, diz o comunicado.
É dito também que o conselho autorizou a preparação de certas medidas de Estado durante o período vindouro, incluindo a elaboração de uma constituição e a organização de eleições legislativas e presidenciais, além do trabalho no sentido de se conseguir a entrada dos palestinos nas Nações Unidas. E adiantou que o conselho irá reunir-se novamente em 15 de novembro a fim de avaliar os progressos nessas questões.
As conversações de paz entre israelenses e palestinos devem ser retomadas em breve em segundo escalão. Num discurso aos legisladores no sábado, Arafat disse que as negociações com Israel seriam deslocadas para um nível mais elevado e se prolongar por cinco semanas.
Mas, os dois lados admitem que as perspectivas não são boas. O principal problema persiste, e trata-se da soberania sobre Jerusalém, disse o ministro palestino Nabil Shaath. Nenhum líder palestino pode sacrificar a soberania sobre Jerusalém.
Barak, falando em Nova York antes da votação, havia dito que a provável postergação seria um sinal positivo, mas ainda não podemos ter ilusões. Ainda temos muito trabalho a fazer.


