Cavallo disputa presidência argentina
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Ariel Palácios Agência Estado 
O ex-ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, lançou ontem sua candidatura à Presidência do país pelo partido Ação pela República. O governador da Província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, lançará a sua no dia 17, pelo Partido Justicialista (peronista), no governo.
Antes, num encontro em um bar, Duhalde perguntara a Cavallo qual a possibilidade de ele acompanhá-lo na eleição, no próximo ano. Cavallo disse que, no primeiro turno, será candidato. No segundo, conversaremos.
Nos últimos meses, Duhalde criticou intensamente o modelo econômico do presidente Carlos Menem. O modelo está esgotado, disse Duhalde, um peronista tradicional, favorável a mais intervenção do Estado na economia, ele próprio exercendo um poderoso assistencialismo em sua província.
Duhalde, que foi vice de Menem no primeiro mandato, espera desde 1995 a chance de chegar à Presidência. Sabe que seu perfil é demasiado peronista à moda antiga para o paladar do empresariado argentino e estrangeiro. Cavallo seria seu parceiro ideal, dando-lhe o lastro neoliberal necessário: o ex-ministro é um dos mais renomados economistas do mundo e recentemente foi chamado à Rússia para apresentar um plano de salvação econômica.
Seja com Cavallo na mesma chapa, seja como seu ministro da Economia, Duhalde pretende diminuir os 16% de vantagem que a coalizão oposicionista Aliança UCR-Frepaso tem sobre o peronismo.
Cavallo foi o criador do modelo que Duhalde critica. A aliança entre eles foi considerada quase impossível, mas como em termos políticos tudo é considerado viável, esta é uma hipótese que ainda pode ser levada em conta.
Posição de Menem A sucessão presidencial argentina todavia ainda pode ter um fator novo. O presidente Carlos Menem havia tentado, há meses, conseguir uma emenda constitucional que lhe garantisse a possibilidade de disputar um terceiro mandato. Quando porém tudo parecia muito bem encaminhado, pressões populares acabaram levando Menem a perceber que enfrentaria sérios problemas caso continuasse com o projeto continuísta. Então, em um lance político, acabou se manifestando contra qualquer mudança que pudesse garantir-lhe uma nova postulação presidencial. Os observadores políticos, porém, não acreditam que o presidente tenha desistido.
A precária situação do candidato situacionista, Duhalde, a possível ameaça representada pela candidatura Cavallo, entre outras coisas, podem servir como meio para que Menem tente uma última cartada legal, antes de desistir. Não parece que haja clima para isto, mas assim como se acredita na possibilidade de um entendimento Duhalde-Cavallo, também é possível esperar uma eventual manobra para garantir a Menem um terceiro mandato.


