Islamabad - Um dos principais assessores da líder da oposição paquistanesa Benazir Bhutto rejeitou ontem as explicações do governo sobre as circunstâncias e causas de sua morte e as qualificou de ''porção de mentiras''.
A explicação oficial ''não tem fundamento'', disse Faruq Naik, principal conselheiro jurídico de Bhutto e membro do Partido do Povo do Paquistão (PPP), dirigido pela ex-premiê. A ex-primeira-ministra ''foi atingida por dois tiros: um no abdômen e outro na cabeça. Não havia segurança''.
O Ministério do Interior, por intermédio de seu porta-voz Javed Cheema, anunciou que a ex-primeira-ministra morreu ao se chocar contra o teto do veículo em que estava no momento do atentado, sem que fossem encontradas balas em seu corpo. ''A alavanca a atingiu na têmpora direita e fraturou seu crânio'', explicou o porta-voz.
''O secretário pessoal de Bhutto, Naheed Khan, e o responsável do partido, Makhdoom Amin Fahim, estavam no automóvel e viram o que aconteceu'', rebateu Naik. Segundo ele, trata-se de ''uma perda irreparável'', e o governo a ''está transformando em uma brincadeira com tais declarações''. ''O país se dirige para uma guerra civil'', alertou.
Terrorismo - Cheema disse ainda que os serviços de inteligência interceptaram o telefonema de um homem que é considerado o chefe da Al-Qaeda no Paquistão, Baitullah Mehsud, parabenizando um militante pela morte de Bhutto. ''Agora, o governo diz que Baitullah Mehsud é o responsável. Onde está a prova?'', questionou Naik.
O governo paquistanês afirmou já ter evidências de que a Al Qaeda e o Taleban estão por trás do assassinato da ex-premiê.

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