Católicos e judeus vão analisar Segunda Guerra
Associated Press
De Roma
Um grupo de acadêmicos católicos e judeus vai rever o material publicado dos arquivos da Igreja sobre a Segunda Guerra Mundial, possivelmente esclarecendo a controversa atuação do papa Pio XII.
O acordo, anunciado ontem pelo Vaticano, cobre 11 volumes do material da época da guerra, publicados entre 1965 e 1981.
O Vaticano disse que o grupo de seis eruditos, três judeus e três católicos que vão examinar o material, será anunciado logo.
A questão dos arquivos e das ações do papa durante a época da guerra é extremamente delicada e líderes judeus há muito pressionam o Vaticano para abrir os arquivos para uma pesquisa sobre o Holocausto.
Alguns judeus dizem que Pio XII poderia ter feito mais para salvar os judeus europeus dos nazistas. O papa, cujo processo de beatificação está sendo analisado, é objeto de um novo livro, chamado O papa de Hitler, que o retrata como anti-semita. Outro novo livro, sancionado pelo Vaticano, Pio XII e a Segunda Guerra Mundial, defende sua memória.
O acordo com o Comitê Internacional Judaico para Consultas Inter-religiosas foi anunciado pelo cardeal Edward Cassidy.
O presidente do comitê judaico, Seymor D. Reich, descreveu o acordo como raro, mas deu boas vindas ao primeiro passo útil para a resolução da questão do papel do Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial. Cassidy, presidente da Comissão Mar Morto para Relações Religiosos com os judeus, levantou a possibilidade de um grupo misto em março de 1998.
O time de especialistas vai levantar questões relevantes e problemas que, na sua opinião, ainda não tiverem sido adequada ou satisfatoriamente resolvidas com a documentação disponível, além de divulgar um relatório com o resultados do estudo, disse o Vaticano.
Mas não está claro se eles terão acesso a qualquer material ainda não publicado.





