Católicos aguardam beatificação de papa
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sexta-feira, 29 de abril de 2011
Folhapress 
São Paulo - Eternizado como um dos pontífices mais notórios da modernidade, João Paulo 2º, o papa missionário, que viajou por grande parte do mundo, será beatificado neste domingo, em Roma, apenas seis anos após sua morte. Para a Igreja, a medida nada mais é do que a confirmação da vida santa de Karol Wojtyla. Especialistas, no entanto, dizem que houve pressa e que o Vaticano poderia ter tido mais rigor no processo.
Respondendo ao clamor dos católicos que entoavam gritos de ''santo súbito'' durante seu funeral, em abril de 2005, Bento 16 decidiu descartar o período de cinco anos entre a morte de um candidato e o início do caminho rumo à santidade. Críticos dizem que a aceleração do processo também visa beneficiar a imagem da Igreja, sensivelmente abalada pelos recentes escândalos de abusos sexuais em todo o mundo.
Pressionado e acusado de ter acobertado investigações dos casos de pedofilia no passado, quando ainda era cardeal, Bento 16 disse que alguns dos inquéritos foram engavetados a pedido do então papa João Paulo 2º. Entre outros pontos negativos do papado de Karol Wojtyla estão suas posições rígidas e conservadoras em relação às mulheres, uso de contraceptivos e a homossexualidade.
Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero no Vaticano, diz que a beatificação ''vem ao encontro dos desejos e dos anseios da população católica de todo o mundo''. Ele e o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, representarão a Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) na cerimônia no Vaticano. Trata-se de um ''um fato notório e especialmente importante. O último papa a ser beatificado foi João 23. É uma resposta àquilo que o povo pedia já na praça São Pedro no dia de seu funeral'', afirma Scherer.
Para o arcebispo paulista, o processo de canonização serve apenas para confirmar a ''santidade'' demonstrada durante a vida de uma pessoa. ''Na Igreja, alguém não é santificado depois da morte. Alguém é santo durante a vida e é proclamado santo depois da morte''. Já de acordo com o vaticanista Kevin Eckstrom, editor da publicação ''Religion News Service'' com sede em Washington (EUA), que há 75 anos cobre assuntos ligados à religião e à ética, houve críticas e dúvidas quanto à rapidez e o rigor do processo de beatificação.
''É possível que a Igreja tenha se deixado levar pela pressa? Muito possivelmente. É possível que tenha havido todo o rigor necessário? Claro. Há perguntas muitas perguntas, mas jamais saberemos as respostas. A Igreja cria suas próprias regras e pode abrir exceções'', afirma.


