HAVANA - O novo clima cordial entre a Igreja Católica e o governo de Cuba esteve visível domingo, quando em missa solene na catedral de Havana, o cardeal Jaime Ortega disse na homilia que ‘‘o diálogo é o caminho para superar todas as crises, inclusive as mais difíceis’’.
A liturgia na centenária catedral de Havana não deixou de ser também um reflexo do clima de concórdia entre Igreja e Estado, depois do encontro de terça-feira da semana passada na Santa Sé entre o Papa João Paulo II e o presidente Fidel Castro. Foi a primeira vez que Castro, líder revolucionário de educação jesuítica, conversou com o Papa, que aceitou o convite feito para uma visita pastoral a Cuba, em 1997.
A catedral de Havana estava repleta de fiéis que aplaudiram muitas vezes o nome do Papa. No entanto, o recinto era pequeno para tanta gente, o que obrigou muitos a ficarem do lado de fora, acompanhando a cerimônia por uma tela gigante de televisão. Monsenhor Ortega, arcebispo de Havana, presidente da Conferência de Bispos e segundo cardeal em toda a história cubana, qualificou o encontro de uma ‘‘semente’’ que deve germinar e dar ‘‘frutos abundantes para o bem de Cuba’’.
A Igreja cubana não aspira a ‘‘mais privilégios que o de poder servir’’ ao bem comum, disse, em aparente propósito de consolidar o espírito de confiança mútua que parece ter nascido entre o catolicismo e o poder castrista. Ortega destacou o fervor da Igreja cubana pela ‘‘vida, paz, solidaridade, reconciliação e pelo diálogo.’’

mockup