Tempestades, inundações e terremotos acabaram com a vida de mais de 50 mil pessoas no mundo inteiro em 1998, ano em que o reaquecimento da Terra levou às temperaturas mais altas do século, assinalou a empresa Munich Re, de Munique.
A empresa destacou que este balanço de perdas humanas é o quarto mais grave das últimas décadas. Em 1997 as catástrofes causaram 13.000 mortos em todo o mundo. O custo destas catástrofes foi estimado em 90 bilhões de dólares - em 1997 foi de 30 bilhões -, isto é, o mais alto desde 1995, ano do terremoto de Kobe, no Japão, segundo a empresa. Munich Re registrou mais de 700 desastres naturais graves em 1998, enquanto a média dos últimos anos se situava entre 530 e 600.
As catástrofes mais frequentes foram os temporais (240) e as inundações (170), que representaram 85% das perdas econômicas, segundo a empresa, enquanto os casos de terremotos e erupções vulcânicas diminuíram. A catástrofe que provocou mais mortes foi o furacão tropical que afetou Índia em junho, no qual morreram mais de 10.000 pessoas, afirmou a empresa de seguros.
Na Europa, a principal catástrofe foi a onda de frio de meados de novembro, que afetou o continente desde a França até a Rússia e causou a morte de 215 pessoas. A segunda foram as correntes de lava no Sarno, no sul da Itália em maio, que causaram a morte de 150 pessoas, acrescentou o relatório. A mais cara de todas as catástrofes foram as inundações na China, que causaram perdas equivalentes a 30 bilhões de dólares e a morte de 3.600 pessoas.
O furacão Georges, que afetou o Caribe em setembro, provocou danos de 10 bilhões de dólares, segundo a Munich Re. As empresas de seguros financiaram 15 bilhões de dólares do conjunto dos gastos ocasionados pelas catástrofes. Segundo a Munich Re, o número excepcionalmente alto de furacões tropicais e de situações climáticas extremas se deve em grande parte ao fenômeno El Ni¤o, que vem perturbando o clima do planeta desde março de 1997. O aumento das temperaturas em 1998, ‘‘ano mais quente dos últimos 150 anos aproximadamente’’, também ocorreu.
‘‘A grande quantidade de situações climáticas extremas pode indicar que o reaquecimento global eleva os riscos de que haja novas catástrofes naturais em numerosas regiões’’, segundo o comunicado.
Mitch Os Estados Unidos anunciaram ontem que vão autorizar 90.000 hondurenhos e 60.000 nicaraguenses ameaçados de deportação a permanecerem e a trabalharem no país por um período de 18 meses, como forma de ajudar os países afetados pelo furacão Mitch. A delegada do Serviço de Imigração e Naturalização (INS), Doris Meissner, anunciou em entrevista à imprensa a concessão do estatuto de proteção temporária aos cidadãos das duas nações centro-americanas mais atingidas pelo furacão em novembro passado.

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