CATÁSTROFE - Arrasado pelo terremoto, Paquistão pede ajuda
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domingo, 09 de outubro de 2005
Masrror Gilan<br> France Presse 
BALAKOT, Paquistão - O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, lançou um apelo solene ontem pedindo ajuda internacional após o violento terremoto que abalou o sul da Ásia e deixou mais de 19 mil mortos confirmados apenas no Paquistão, com estimativas de 30 mil para o total de vítimas fatais.
''Pedimos a ajuda internacional, temos suficientes meios humanos, mas precisamos de ajuda financeira para fazer frente à tragédia'', declarou o general Musharraf. ''Temos também muita necessidade de medicamentos e helicópteros para chegar às regiões isoladas'', acrescentou.
O terremoto, de intensidade 7,6 na Escala Richter, deixou ainda pelo menos 42 mil feridos, indicou o ministro paquistanês do Interior, Aftab Sherpao, que anunciou três dias de luto nacional a partir deontem . ''O horror da situação supera o entendimento'', afirmou o ministro em entrevista à imprensa em Islamabad.
A zona mais afetada pelo terremoto é a parte da Caxemira sob administração paquistanesa, onde o número de mortos confirmados é de 17.388 e o de feridos, 40.421, informou o ministro paquistanês.
Entre as vítimas, cerca de 11 mil morreram na capital da Caxemira paquistanesa, Muzaffarabad, e seus arredores, acrescentou Aftab Sherpao. Mais a oeste, nas montanhas de Hindu Kuch da Província da Fronteira do Norte-Oeste (NWFP), 1.760 pessoas morreram e 1.797 foram feridas.
''O número de mortos aumenta de hora em hora, contou o ministro. Pouco antes, Tariq Farooq, ministro das Comunicações da Caxemira paquistanesa, tinha falado em um ''balanço provisório de mais de 30.000 pessoas mortas na região''. ''Há cidades e vilarejos que foram totalmente destruídos. Muzaffarabad está devastada'', continuou.
Na Caxemira indiana, vizinha ao Paquistão, o terremoto matou 600 pessoas e deixou mil feridos, segundo um representante do governo. A principal ponte que liga a Caxemira indiana à Caxemira paquistanesa caiu. Esta ponte, construída em março passado entre as duas Caxemiras, está intransitável, segundo um porta-voz do Exército indiano.
No leste do Afeganistão, o terremoto também deixou um número até agora indeterminado de mortos, mas significativamente inferior ao das demais regiões afetadas.
O Paquistão foi atingido por 45 réplicas do violento terremoto de sábado em menos de 24 horas, o que provocou mais danos no norte do país, de acordo com o departamento de meteorologia do Paquistão. ''Não há nenhum sobrevivente em vilarejos como Kufalgarh, Harigal e Baniyali no distrito de Bagh'', onde a população era de aproximadamente 150.000 pessoas, explicou o ministro local Tariq Farooq.
A última réplica ocorreu ontem às 14H00 locais (06H00 de Brasília) e foi de intensidade calculada em 6 graus na Escala Richter, disse o diretor do departamento de meteorologia de Islamabad, Qamaruz Zaman. O ministro paquistanês para a Caxemira, Faisal Saleh Hayat, disse que ''mais da metade de uma população de 2,4 milhões de habitantes foi afetada pelo terremoto'', referindo-se aos mortos, feridos e desabrigados.
''Inúmeras regiões e várias cidades foram totalmente riscadas do mapa, em particular o município de Balakot (na Província da Fronteira do Norte-Oeste, NWFP)'', no norte do Paquistão, disse o general Shaukat Sultan, porta-voz das forças armadas, ao canal de televisão CNN, lançando apelo por ajuda internacional.


