Cassini inicia exploração dos famosos anéis de Saturno
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Salvador Nogueira<br> Agência Folha 
São Paulo - Depois de cumprir a primeira etapa de sua missão a Saturno sobrevoar Febe, pedregulho provavelmente desgarrado dos confins do Sistema Solar e sequestrado pela gravidade do gigante gasoso , a sonda Cassini se prepara para a fase mais arriscada da aventura: fazer uma travessia dos famosos anéis, enquanto dispara seus motores para se colocar em órbita ao redor do planeta.
A aproximação máxima da lua, ontem, já deu uma boa medida do que a missão, conduzida pela Nasa (agência espacial americana) em cooperação com a ESA (sua contraparte européia), deve fazer pelos estudos do sistema saturnino. ''A última vez que tivemos observações de Febe foi com a Voyager, em 1981'', diz Torrence Johnson, que já trabalhou nas missões Voyager e Galileo e agora cuida das fotos da Cassini.
''Desta vez, as imagens da lua misteriosa serão cerca de mil vezes melhores, uma vez que a Cassini estará mais perto.'' A aproximação máxima deve levar a nave a uma distância de cerca de 2.000 quilômetros da superfície. Sendo a lua mais distante de Saturno, Febe seria o alvo natural para observação na aproximação final da sonda. Uma vez em órbita, a Cassini não terá novas oportunidades para sobrevoá-la.
À primeira vista, não é lá um astro muito impressionante: o pedregulho de forma irregular e 220 km de diâmetro mais parece um asteróide do que qualquer outra coisa. Mas é justamente isso que faz dele um alvo científico forte.
Há quem acredite que o astro na realidade seja um dos objetos originários do chamado cinturão de Kuiper (faixa além de Netuno que serve como reservatório de cometas). Ao ''cair'' nas regiões mais internas do sistema planetário, ele teria sido capturado pela gravidade de Saturno, tornando-se uma das 31 luas do planeta.
Após a passagem pela pequena lua saturnina, a Cassini ruma para uma passagem de raspão pelo planeta e, numa manobra arriscada, em 1º de julho, iniciará a frenagem para entrar em órbita, após sete longos anos de viagem.
''Esse é um momento crítico, porque, se algo der errado, a nave poderá entrar na órbita errada ou pior passar direto pelo planeta'', diz Throop. ''A Mars Observer foi perdida durante a queima de inserção orbital, em agosto de 1993, assim como várias outras naves. Mas na maioria das vezes dá tudo certo'', afirma.


