Associated Press
e Agência Estado
De Santiago
A campanha para a eleição presidencial no Chile de domingo, disputada pelo governista Ricardo Lagos e o candidato da direita Joaquín Lavín, terminou ontem com a intromissão do caso do general Augusto Pinochet, que dominou a cena política local.
O anúncio do ministro do Interior da Grã-Bretanha, Jack Straw, de libertar Pinochet porque sua saúde não permitiria enfrentar um julgamento na Espanha, repercutiu fortemente no Chile e os candidatos à presidência dedicaram a maior parte de suas últimas declarações de campanha ao tema.
Lagos e Lavín concordaram que Pinochet deverá enfrentar os tribunais de justiça chilenos e, também, que o ex-ditador deveria sair da vida política e não exercer seu cargo de senador vitalício.
Durante a campanha, Lavín procurou estar afastado de Pinochet, da mesma forma que fizeram os partidos da direita que o apóiam. Lavín foi um funcionário do regime militar que trabalhou para que Pinochet permanecesse na presidência até 1997.
Lagos, por sua vez, disse que – se for eleito – garantirá o trabalho do Poder Judiciário caso a decisão seja julgar Pinochet no Chile. O anúncio foi feito depois que a secretária-geral do Partido Comunista, Gladys Marín, declarou que muitos simpatizantes comunistas não votariam em Lagos.
Mesmo que os votos dos comunistas sejam apenas 225 mil, no universo de oito milhões de eleitores, serão indispensáveis para Lagos, porque no primeiro turno o candidato do governo ficou à frente de Lavín por 30 mil.
O próprio Lavín e seus assessores abriram a possibilidade de aumentar o período de espera da apuração para saber se Lagos vencerá o segundo turno, antecipando que se a diferença de votos não for grande vão aguardar o veredicto do Tribunal Eleitoral, que pode durar cerca de duas semanas. No entanto, Lagos diz que será presidente no domingo nem que ganhe por um voto.
Uma pesquisa eleitoral divulgada ontem pelo instituto britânico Market and Opinion Research International (Mori), que atua no Chile, mostra empate técnico entre os dois candidatos.
Foram entrevistadas 1,2 mil pessoas entre os dias 3 e 10 de janeiro, distribuídas por localidades que abrangem 70% do país. A diferença entre os dois candidatos ficou abaixo de um ponto percentual, com ligeira vantagem para Ricardo Lagos.
Como a diferença entre os dois candidatos foi inferior a 3 pontos percentuais, que é a margem de erro da pesquisa, o instituto não divulgou os percentuais obtidos por cada candidato. O instituto afirma que para dizer com certeza quem está à frente teria que ser feita uma pesquisa com alcance muito maior que tivesse margem de erro de menos de 1%.
O Mori fez mudanças em suas amostras depois de ter errado nas pesquisas para o resultado do primeiro turno, realizado em 12 de dezembro. A estimativa do instituto era de que Ricardo Lagos venceria por 6 pontos percentuais de vantagem, ou 420 mil votos, com 48,6%, enquanto Lavín teria 42,1%. Na realidade, Lagos teve apenas 0,44% de vantagem sobre seu oponente, o que corresponde a 30 mil eleitores.Anúncio da possível libertação de ex-ditador repercute fortemente na campanha chilena. Ambos os candidatos concordam com julgamento no Chile
Arquivo FolhaResultado imprevisívelO governista Ricardo Lagos (e) e o candidato da direita Joaquín Lavín durante a votação no 1º turno: empate técnico

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