Caso Garrido divide radicais bascos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 1997
Roland de Courson France Presse San Sebastian 
Isolados politicamente após o assassinato do vereador Miguel Angel Blanco Garrido, sequestrado pelo ETA e morto sábado passado, os separatistas bascos radicais começam a sofrer as primeiras divergências internas, depois que vários militantes da organização armada ou de seu braço político Herri Batasuna (HB) se declararam publicamente traumatizados com o crime. Eu me chamo Teresa Mugica e sou de Herri Batasuna. Se o ETA quer mais vítimas, moro no número 7 da Rua Iparaguirre, assinala no matutino El País uma mulher residente em Ermua, a cidade de Blanco Garrido.
Os propósitos da militante ilustram o desânimo de certos independentistas, ao mesmo tempo em que milhões de espanhóis gritavam nas ruas ETA e HB são a mesma coisa. O Herri Batasuna, que representa aproximadamente 12% do eleitorado do País Basco (Norte) e que controla somente 21 municipalidades da região, encontra-se totalmente à margem depois do assassinato de Blanco Garrido. Os outros partidos bascos puseram em quarentena política a coalizão independentista por ela não ter condenado o assassinato.
O Partido Socialista Espanhol propôs inclusive aos nacionalistas bascos moderados um pacto com o objetivo único de expulsar o HB de certas municipalidades, essencialmente a de Mondragón, tradicional reduto independentista.
Por sua parte, o Partido Nacionalista Basco (PNB, moderado, no poder na região), que apoiava até agora, como o HB, o reagrupamento no País Basco de todos os membros do ETA encarcerados em diferentes cidades da Espanha, estimou ontem que já não é o momento de abordar o assunto. O maior inimigo dos presos do ETA é sua própria organização, declarou o porta-voz do PNB, Inaki Anasagasti. É provável que as simpatias pelo HB estejam diminuindo, mas talvez não tão rapidamente como desejamos, acrescentou.
Por sua vez, o HB acusou o Governo de ser responsável pela morte de Garrido, devido à sua incapacidade para aceitar as propostas de diálogo. A coalizão independentista também se considera vítima de uma estratégia de linchamento.
A associação pacifista basca Bakea Orain (A paz agora) lançou um apelo aos militantes separatistas que estejam em desacordo para que se expressem publicamente. Alguns até já o fizeram, como o preso histórico do ETA José Miguel Latasa Getaria, que pediu a imediata renúncia da diretoria do HB. Esse tipo de gente nos está levando ao desastre. Precisam sair de uma vez, declarou Getaria, que cumpre uma pena de mais de 500 anos de reclusão por vários atentados.
BoicoteO governo regional do País Basco, Norte da Espanha, proibiu ontem uma manifestação convocada para sábado pelo partido Herri Batasuna (HB), braço político do ETA, enquanto duas redes privadas de televisão decidiram boicotar qualquer entrevista de seus membros.


