Casal Kirchner deve se manter no poder
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domingo, 28 de outubro de 2007
Fernando Serpone<br> Folhapress 
São Paulo - Hoje, cerca de 27 milhões de argentinos das 24 Províncias que compõem o país deverão ir às urnas para votar para presidente, vice-presidente e deputados federais. Oito Províncias irão eleger também novos governadores e senadores.
Além do presidente, cujo mandato é de cinco anos, um terço do Senado e metade da Câmara serão renovados. O voto na Argentina é obrigatório, e facultativo aos cidadãos que moram no exterior.
A senadora e primeira-dama, Cristina Kirchner, é a favorita e, segundo pesquisas de intenção de voto, deve ser eleita no primeiro turno. Grande parte de sua popularidade deve-se ao seu seu marido, Néstor Kirchner, que assumiu em 2003 um país que lutava para se recuperar da grave recessão econômica e da crise política.
O descrédito em que mergulharam os políticos e seus partidos tem como consequência a apatia e o desinteresse do eleitorado - assim como a quase certa eleição de Cristina, já que não há uma real disputa em jogo. Todos os quatro principais candidatos - Cristina Fernández de Kirchner, Elisa Carrió, Ricardo Lopez Murphy e Roberto Lavagna - têm uma trajetória política e experiência que poderia fazer deles bons governantes.
Porém, apenas Cristina tem sua imagem vinculada à de Kirchner e às suas políticas bem sucedidas. E até agora, ela promete o que o povo quer: mais do mesmo.
Não houve disputa para decidir quem seria o candidato do governo em 2007. A decisão, vertical, partiu do próprio presidente. Sua mulher, Cristina, diz que pretende manter as mesmas políticas do marido. Tal manobra evita o desgaste político de dois mandatos seguidos, e permite que Néstor se candidate em 2012.
Fragmentação política - O casal ainda conta com outro elemento a seu favor: a fragmentação inédita da oposição argentina, que reduz mais ainda as chances dos seus candidatos. Durante mais de 50 anos, a política argentina era praticamente bipartidária, e as disputas se concentravam entre a UCR (União Cívica Radical) e o Partido Justicialista (peronismo).
Pela primeira vez em mais de 100 anos, desde sua criação, a UCR não tem um candidato a presidente. Já o peronismo não apresenta um candidato com sua marca tradicional, o Partido Judicialista.
Principais desafios - Os principais desafios da próxima administração deverão ser econômicos, já que será necessário enfrentar a inflação e a crise energética, ambas consideradas produtos das políticas de Néstor Kirchner.
A crise energética influi na produção, nos preços e pode frear o desenvolvimento e crescimento econômico.
Além da economia, outro problema grave é a corrupção, considerada endêmica na Argentina.


