Casal firmou 'acordo de paz' há 13 anos
Qualquer teoria sobre as divergências entre judeus e árabes cai por terra quando o casal de jornalistas Manoel Carlos Karam e Katia Kertzman começam a contar suas histórias. Ambos descendentes de famílias pioneiras de descendentes de árabes e judeus no Paraná, estão juntos há 13 anos, desde que se conheceram.
A sorte é que ambos foram criados em famílias que nunca incentivaram a separação e discriminação entre as raças. Kátia lembra, por exemplo, que foi criada segundo a tradição judaica e estudou na escola Israelita, mas na adolescência frequentava os bailinhos não apenas do Centro Israelita mas também da Sociedade Sírio Libanesa. ''As sociedades se revezavam. Cada final de semanan tinha baile em uma delas e nós íamos em todos'', conta. Nascido e criado em Rio do Sul, em Santa Catarina, Karam conta que, na verdade, os dois só se deram conta dessa situação ''depois de um tempo que já estávamos juntos''.
Como não podia deixar de ser, a união dos dois acabou gerando algumas brincadeiras entre os amigos. Kátia conta que sempre gostou de dizer que eles representavam ''a paz no Oriente Médio''. A brincadeira acabou virando assunto sério na televisão. Quando Israel e a Organização pela Libertação da Palestina (OLP) assinaram um acordo de paz, no início da década de 1990, o casal virou notícia, como exemplo de que a paz entre judeus e árabes era possível.
''Se fossemos abrir uma loja, sendo um árabe e uma judia, seria o maior sucesso. Só teria um problema: nós íamos brigar o tempo todo porque os dois íam querer ficar no caixa'', brinca Karam, lembrando que entre as famílias também nunca houve discordâncias sobre o relacionamento. Ele lembra, no entanto, que o casal tem uma grande diferença: ''Ela é atleticana e eu sou Coxa''. Quer dizer, em dia de Atletiba é ''guerra'' na certa. (M.G.)





