Curitiba - O casal Roberson Tavares dos Santos, 24 anos, e Flávia Aline Boreski, 21, de Umuarama (Nororeste), ganhou um importante reforço na tentativa de repatriar o filho, Edygleison Martins dos Santos, três anos, que está na Inglaterra. A Justiça brasileira colocou um defensor público para tratar do assunto diretamente com a Justiça da Inglaterra e comprovar que os pais têm condições de cuidar da criança e que ela receberá o tratamento médico especial que necessita.
Edygleison sofre da Síndrome de Wiskott Aldrich, uma doença rara e similar à leucemia que ataca homens, no qual o paciente pode ser curado por meio de um transplante de medula óssea. Entre os sintomas, a pessoa pode apresentar hematomas e transpirar sangue pelos poros.
O drama começou em setembro do ano passado. O casal vivia na cidade pesqueira de Grimsby, quando o garoto ficou doente. Ao levá-lo ao hospital da região os médicos, segundo Flávia, confundiram os sintomas da doença, principalmente o sangramento no nariz, com agressões e acionaram a polícia.
Segundo Flávia, os ingleses passaram a tratá-los como criminosos até que o caso foi esclarecido. ''Mesmo assim, ele foi levado para um abrigo, onde são colocadas crianças agredidas nas suas casas. Após isso, Roberson voltou para o Brasil, pois os policiais chegaram inclusive a fazer buscas em casa''. Flávia disse que antes de retornar, a guarda da criança foi passada para Cleberson Tavares, tio da criança e com cidadania portuguesa, o que o possibilitaria a cuidar legalmente da criança.
''A Justiça inglesa determinou que nosso filho fosse levado para junto de uma família local, onde é acompanhado por uma assistente social. Minha sogra também faz visitas (duas horas por semana) e esses são os poucos momentos em que podemos ver nosso filho pela internet'', disse.
O fato de Edygleison estar com seu visto de turista vencido pode ser um aliado do casal para colocar fim ao drama, pois ele seria deportado e poderia morar novamente com os pais, que já recorreram ao Itamaraty para uma possível intervenção no caso, mas não obtiveram sucesso.
A principal briga com a Justiça inglesa, porém, é comprovar que o menino terá amplas condições de tratamento no Brasil. ''Já contatamos alguns especialistas que podem indicar tratamentos em São Paulo, Curitiba e em outras grandes cidades'', afirmou Flávia.
Por causa da lei inglesa que interpreta como crime a interrupção de tratamento médico, os pais precisam comprovar que ele receberá os mesmos cuidados para sua saúde. ''Vamos mostrar que temos essa condição'', concluiu.

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