Casa Branca rejeita ação contra Cheney
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quarta-feira, 10 de julho de 2002
France Presse 
WashingtonA Casa Branca rejeitou ontem a ação de um grupo que investiga a corrupção entre funcionários governamentais que alega uma fraude cometida pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney e a companhia de energia que ele dirigia como algo sem fundamento. ''Achamos que não tem nenhum mérito'', disse a porta-voz de Cheney, Jennifer Millerwise, por telefone depois que o grupo Judicial Watch (Vigilância Judicial) anunciou que pretendia acionar Cheney e a firma de serviços petroleiros Halliburton.
O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, igualmente qualificou a ação como ''carente de mérito'' e descartou o argumento de que investigações empreendidas pela comissão de operações bursáteis (SEC) em Halliburton sejam objeto de pressões políticas. A SEC conduzirá sua investigação ''não importa aonde levar'', disse Fleischer à imprensa.
Judicial Watch, um grupo de tendência direitista, assinalou ontem que a ação contra Cheney e ''outros diretores da Halliburton envolvidos'' é por ''práticas contábeis supostamente fraudulentas que resultaram na supervalorização das ações da empresa, prejudicando portanto investidores e outras pessoas''.
Halliburton, gigante dos serviços petroleiros com sede no Texas, reconheceu no final de maio que estava sendo investigada pela comissão de operações por suas práticas contábeis quando Cheney substituía o presidente da companhia entre 1995 e 2000.
ProcessoO Judicial Watch, grupo que investiga a corrupção entre funcionários do governo norte-americano, ajuizou ontem um processo contra o vice-presidente Dick Cheney e a empresa em que ele trabalhava, Halliburton Co., por práticas contábeis supostamente fraudulentas.
''Cheney é demandado (...) como participante direto, cúmplice, instigador e conspirador nos atos fraudulentos, omissões e esquemas'', diz o processo. ''Pessoas inocentes foram prejudicadas, pessoas pequenas. Estas são as pessoas que representamos'', disse o presidente do Judicial Watch, Larry Klayman, numa entrevista coletiva à imprensa em Miami.
Imprensa decepcionadaAs propostas do presidente americano George W. Bush para acabar com os delitos empresariais deixaram a desejar e mais parecem uma atitude eleitoreira, opinaram ontem os principais jornais norte-americanos.
O discurso de Bush ''foi decepcionante, desprovido de propostas fortes para remediar os problemas subjacentes'', indicou The New York Times, que também se abordou o passado do presidente como executivo petroleiro no Texas. ''O presidente rejeita as críticas (contra ele) como políticas. Mas se espera restaurar a confiança dos investidores nas empresas norte-americanas, necessita primeiro botar ordem na própria casa'', diz o Times, em um editorial.
Por sua parte, The Washington Post rejeitou a percepção manifestada por Bush de que a série de escândalos empresariais nos Estados Unidos é fundamentalmente um tema moral, e o repreende pelo comentário de que ''não há capitalismo sem consciência (...) riqueza sem caráter''.


