Casa Branca avalia ajuda à Colômbia
Preocupação nos altos escalões do governo dos EUA é a delimitação entre a luta contra as drogas e a luta contra as guerrilhas
Ary Moleon
De Washington
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, autorizou o desenvolvimento de um plano para a Colômbia aparentemente destinado a deixar insatisfeitos seus críticos conservadores no Congresso e já desatou o antagonismo dos setores liberais nos quais baseia sua ação.
O porta-voz da Casa Branca, Joseph Lockhart, confirmou a ação, explicando que ainda não se adotou nenhuma decisão sobre o aumento da assistência militar. Lockhart disse que Clinton e seus assessores consideram que a Colômbia encara um verdadeiro desafio em sua economia assim como sua luta contra as drogas e as guerrilhas, que são difíceis de separar.
Mesmo assim, acrescentou, como temos dito publicamente, consideramos boa a gestão do presidente Andrés Pastana e estamos analisando o aumento da assistência, mas até o momento nenhuma decisão foi tomada.
A questão é se atuaremos a tempo de evitar um desastre ainda maior, disse o congressista republicano John L. Mica. Os Estados Unidos estão embarcando na pior de todas as opções, disse Winefred Tated, da fundação liberal WOLA. Não alcançarão os objetivos traçados.
O jornal The Washington Post informou ontem sobre um suposto complô abortado contra o presidente colombiano Andrés Pastrana em maio passado. O diário não informa quem idealizou a operação, da qual não havia informações anteriores. Um trecho sobre a situação colombiana diz: As concessões aos rebeldes, inclusive a ocupação de uma zona desmilitarizada, produziram tamanho mal-estar no exército que em maio passado o ministro de Defesa Rodrigo Lloreda renunciou a seu cargo em protesto, mencionando um complô fracassado por parte de altos oficiais militares.
O jornal também informou ontem que a deterioração da situação colombiana foi levada pela primeira vez ao conhecimento de Clinton quarta-feira passada pelo secretário do conselho de segurança nacional, Samuel Berger e pelo subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Thomas R. Pickering.
Os dois funcionários foram encarregados de coordenar a ação que caberia ao Pentágono, à Tesouraria, à Secretaria de Estado e à Direção de Controle de Drogas (DCD). A Tesouraria foi chamada para orquestar o apoio para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) facilite à Colombia cerca de US$ 3 bilhões para deter a precipitada deterioração da economia colombiana.
O problema que preocupa os altos escalões do governo é a delimitação entre a luta contra as drogas e a luta contra as guerrilhas, cujo controle de grandes regiões no país não só aumentou seu peso político, mas a produção de coca necessária para a preparação da cocaína exportada aos Estados Unidos.
As forças regulares colombianas não puderam manter o controle da zona ocupada pelos guerrilheiros. Tate disse que afiançar as forças regulares é afiançar uma instituição abusiva, corrupta que resistiu ao controle civil e ao respeito aos direitos humanos.





