São Paulo - Empresário milionário e controverso, Horacio Cartes, de 57 anos, toma posse hoje como novo presidente do Paraguai. Ele assume o poder pouco mais de um ano após o impeachment relâmpago que tirou Fernando Lugo do poder, em junho de 2012, e gerou um clima de tensão política na região. Com ele, volta ao poder o Partido Colorado, que ficou cinco anos fora do poder, depois de controlar a presidência por 60 anos.
Dono de um conglomerado de 26 empresas - a maioria no ramo de cigarros e bebidas -, Cartes é um dos homens mais ricos e poderosos do país. Prega a imagem de "bom patrão", levando-a, inclusive, para a política.
Em junho de 2012, apresentou essa como uma de suas principais credenciais à presidência, em entrevista à Folha de S.Paulo. "O problema do Paraguai é emprego, e nossa família sabe produzi-lo e tratar com dignidade os empregados."
Cartes evita falar sobre sua fortuna e já disse que lhe atribuem um patrimônio cem vezes maior do que tem.

Novato
O empresário é um novato na política. Ingressou no Partido Colorado em 2008. Com a derrota do partido - que estava havia 60 anos no poder - para Fernando Lugo, viu uma oportunidade na política e avançou na legenda justamente por dar ao partido o que ele mais precisava na época: dinheiro.
Cartes começou financiando os colorados nas eleições municipais de 2010, e a mídia paraguaia especula em dezenas de milhões de dólares os investimentos na própria campanha.
Grande parte de seus eleitores justificaram o voto, em abril, justamente pelo fato de Cartes ser um "outsider", que poderia "renovar" o cenário político paraguaio com a visão pragmática de um empresário. Denúncias
Cartes foi eleito sob a sombra de acusações de contrabando de cigarros, ligação com o narcotráfico e lavagem de dinheiro. Seu nome é apontado no relatório da CPI da Pirataria, de 2004, pelo envolvimento da sua empresa Tabesa no contrabando de cigarros para o Brasil.
Outra denúncia é a de que, há 30 anos, obteve dólares por um preço preferencial do Banco Central paraguaio para vendê-los na cotação paralela. Ele chegou a ser detido por isso.
Um processo foi aberto na Justiça brasileira em 2004 por remessa irregular de divisas, envolvendo o Banco Amambay (de sua família). Seus advogados argumentam que Cartes "não foi diretamente processado".
O empresário ainda aparece, em telegrama de 2010 vazado pelo WikiLeaks, supostamente ligado a uma rede de lavagem de dinheiro e narcotráfico.

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