Cartel Juárez lavou dinheiro na Argentina
Associated Press
De Buenos Aires
A Interpol (Polícia Internacional) identificou na Argentina uma importante célula do cartel de drogas mexicano de Juárez.
Por meio de bancos dos Estados Unidos e da corretora Mercado Abierto, de Buenos Aires, especialistas ligados a Amado Carrillo Fuentes líder do cartel morto em 1997, após uma malsucedida cirurgia plástica lavaram pelo menos US$ 25 milhões, segundo o chefe do escritório mexicano da Interpol, Juan Ponce Edmundson.
A sofisticada operação consistia, basicamente, em fazer o dinheiro do cartel girar entre contas bancárias do Citibank norte-americano e em paraísos fiscais como as Ilhas Caymán.
A Mercado Abierto era usada como fachada para os envios, segundo Ponce Edmundson. O caso vinha sendo investigado há mais de dois anos.
A Argentina, porém, é o país do Mercosul que tem a legislação mais complacente com operações de lavagem de dinheiro. Por causa disso, as evidências encontradas não foram suficientes para ocasionar a prisão dos envolvidos.
O juiz federal de Buenos Aires Rodolfo Canicoba Corral, encarregado do caso, determinou apenas a apreensão de documentos da Mercado Abierto e de outras empresas suspeitas de envolvimento.
Canicoba Corral lamentou a falta de uma lei mais dura para punir responsáveis por transações financeiras suspeitas.
O dono da corretora, Aldo Ducler, que foi secretário de Fazenda durante o regime militar argentino, insistia ontem em dizer que a empresa nada tinha a ver com lavagem de dinheiro.
O valor que nos foi entregue não pode de modo nenhum ser do narcotráfico, pois nossa prioridade sempre foi a de garantir que os fundos viessem de bancos dos Estados Unidos e nunca de destinos suspeitos, como Colômbia ou México, afirmou Ducler.
A operação de lavagem de dinheiro na Argentina seria a ponta da emergente operação financeira de Carrillo Fuentes, também conhecido como O Senhor dos Céus, no Cone Sul.
As investigações apontaram para a existência de ramos do cartel de Juárez também no Chile, Uruguai, Bolívia e Brasil.
Cemitérios clandestinos A investigação ocorre no mesmo momento em que equipes de policiais, soldados e especialistas forenses de México e EUA realizam escavações em quatro ranchos de Ciudad Juárez, na fronteira entre os dois países. O local foi, supostamente, transformados em cemitérios clandestinos para sepultar cadáveres de vítimas do cartel.
Até ontem, seis corpos tinham sido desenterrados. Estima-se que os restos de até 200 pessoas tenham sido enterradas no local desde 1993.
Nesta quinta-feira, chegaram ao local das escavações o diretor do FBI (a polícia federal norte-americana), Louis Freeh, e o procurador-geral do México, Jorge Madrazo.
Em entrevista coletiva, Freeh criticou as especulações da imprensa sobre o número de cadáveres que podem ser encontrados no local. Trabalhamos com fatos, não com especulações, declarou.





