São Paulo - O sul-coreano Cho Seung-Hui, 23, identificado como autor do massacre que deixou 32 mortos ontem Instituto Politécnico da Virgínia (EUA) aparentemente premeditou sua ação violenta. Em carta encontrada pela polícia em um dos dormitórios, o agressor se queixa dos garotos ''ricos, festeiros e charlatões'' da universidade e afirma que foram eles que ''causaram a tragédia''.
Anteontem, em dois ataques que ocorreram em cerca de duas horas, o estudante, que também vivia em um dormitório na universidade, protagonizou o mais grave ataque a mão armada em um campus de universidade desde 1966. Seung-Hui matou 32 pessoas (a maioria jovens estudantes) e depois se suicidou.
Segundo o jornal ''Chicago Tribune'', ele dava sinais de comportamento violento e fora do normal, tendo inclusive ateado fogo a um dormitório e assediado estudantes da universidade.
De acordo com Carolyn Rude, chefe do Departamento de Inglês, seu comportamento causava apreensão entre professores. ''Havia preocupação a respeito dele'', disse ela.
Seung-Hui vivia nos Estados Unidos desde 1992, de acordo com o porta-voz do Departamento de Imigração americano, Chris Bentley. Ele morava com a família em Centreville, na Virgínia.
Seus pais são donos de uma lavanderia e sua irmã é aluna da Universidade de Princeton. ''Ele era um solitário, estamos tendo dificuldades para obter informações a seu respeito'', disse o porta-voz da universidade, Larry Hincker.
''Ele era muito quieto e estava sempre sozinho'', afirmou o vizinho Abdul Shash. Segundo ele, Seung-Hui passava grande parte de seu tempo livre jogando basquete e não respondia quando alguém o cumprimentava.
Segundo a polícia, ele chegou a ser submetido a tratamento para depressão. Seu corpo foi encontrado entre os 31 mortos em Norris Hall, prédio da Engenharia. De acordo com a polícia, os corpos das vítimas foram encontrados em quatro salas de aula e nas escadas.
Testes balísticos apontam que as mesmas armas -duas no total- foram utilizadas em ambos os ataques, segundo a polícia da Virgínia. De acordo com a polícia, foi encontrada na mochila do estudante a nota fiscal de uma pistola Glock 9 milímetros adquirida em março último.
O Ministério de Relações Exteriores sul-coreano expressou suas condolências, dizendo esperar que a tragédia não suscite ''preconceito ou discriminação racial''. ''Estamos em choque'', disse o representante Cho Byung-se. ''Expressamos condolências às vítimas, aos familiares e ao povo americano'', acrescentou.

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