Dois carros-bomba explodiram com poucas horas de intervalo no centro de Jerusalém pouco antes de o emissário norte-americano William Burns iniciar ontem sua missão destinada a aplicar as recomendações do informe Mitchell. Um dos carros-bomba explodiu de manhã no centro de Jerusalém Oeste, perto da rua Jaffa, a uns 100 metros do local onde outro carro-bomba havia explodido anteontem à noite, informou a rádio militar.
Depois de afirmar que não havia vítimas, a rádio militar precisou que aparentemente há ‘‘vários feridos’’, embora não pudesse dar mais detalhes. Além de dois feridos, pelo menos 17 transeuntes foram hospitalizados em estado de comoção, segundo fontes médicas e policiais.
O atentado de anteontem à noite foi reivindicado pela Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), uma organização da oposição palestina com base em Damasco. Um conselheiro do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon acusou ontem o presidente palestino, Yasser Arafat, de ser o responsável pela ‘‘atual onda terrorista’’.
‘‘Esta onda de terrorismo é a resposta palestina à mão estendida por Ariel Sharon. Desde que o primeiro-ministro propôs um cessar-fogo unilateral, constatamos uma onda de terrorismo sem precedentes’’, declarou à AFP Avi Pazner, conselheiro de Sharon.
‘‘Trata-se de uma ação bem coordenada, da qual é responsável a Autoridade Palestina. Yasser Arafat não fez nada para impedir esses ataques contra Israel. Ao contrário, tem continuado com sua campanha de incitação à violência’’, adiantou.
Por sua vez, o exército israelense fez uma incursão este domingo em um território sob controle palestino ao sul da Faixa de Gaza, anunciou um chefe da segurança palestina, o coronel Khaled Abu Ola. Segundo os palestinos, o exército israelense realizou recentemente umas vinte incursões, violando os acordos de autonomia de 1993.
O emissário especial norte-americano William Burns informou que pediu ontem ao presidente palestino Yasser Arafat para fazer todo o possível no sentido de deter ‘‘os ataques terroristas’’, após os dois atentados com carros-bomba em Jerusalém. ‘‘Tivemos um encontro construtivo sobre a aplicação do informe (da comissão internacional presidida pelo ex-senador norte-americano George Mitchell), para acabar com a violência’’, adiantou.
‘‘Mas infelizmente houve novos atos de violência em Jerusalém, dois ataques terroristas, e pressionei Arafat para que faça todo o possível a fim de impedir isso’’, declarou Burns aos jornalistas. O emissário também iria se reunir ontem com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.

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