Pablo Rodríguez
France Presse
De Bogotá
A explosão nesta quinta-feira de um carro-bomba no norte de Bogotá, com saldo de sete mortos e pelo menos 45 feridos, aconteceu apenas 48 horas depois que a Corte Suprema de Justiça reativou a extradição de narcotraficantes para os Estados Unidos, e reviveu nos colombianos o temor de uma nova era de narcoterrorismo.
O carro-bomba, carregado com 80 quilos de dinamite, foi deixado em uma movimentada rua de um setor residencial e comercial da zona norte da capital colombiana, aprentemente sem estar dirigido a um alvo específico, mas sim com o objetivo de causar dano indiscriminado, segundo a polícia.
A ação terrorista acontece depois que, na terça-feira, a Corte Suprema de Justiça reativou a extradição de narcotraficantes colombianos para os Estados Unidos, ao emitir um conceito favorável para entregar à justiça desse país o capo da heroína Jaime Orlando Lara Nausa.
O máximo tribunal da justiça colombiana também autorizou na quarta-feira a extradição para os Estados Unidos do conhecido narcotraficante venezuelano Fernando José Flores Garmedia.
Com essas decisões, a Corte voltou a por em prática a extradição de cidadãos colombiano, que tinha sido proibida em 1991 por uma reforma constitucional que foi adiantada por causa de uma sangrenta onda de narcoterrorismo desatada pela temida organização de ‘‘os extraditáveis’’.
Essa organização era dirigida pelo poderoso chefe do poderoso cartel da cocaína de Medellín, Pablo Escobar, que foi morto pela polícia a 2 de dezembro de 1993.
Em dezembro de 1997, depois de uma forte pressão de Washington contra o então presidente liberal Ernesto Samper (1994-98), o Congresso aprovou uma emenda constitucional que levantou a proibição de extraditar cidadãos colombianos, mas sem retroatividade.
A decisão legislativa abriu as portas novamente à extradição de colombianos para outros países, mas somente por delitos cometidos a partir da emenda constitucional, com o que ficaram a salvo de ser extraditados importantes capos que já estavam presos.
A modalidade do ataque terrorista desta quinta-feira em Bogotá, semelhante ao que caracterizou a sngrenta onda narcoterrorista desatada por Escobar entre finais da década dos anos oitenta e princípios dos noventa, reviveu entre os colombianos o temor de uma nova era de narcoterrorismo.
Nesses anos morreram dezenas de pessoas por efeito de carros-bomba, colocados por ordem de Escobar em diversas cidades. Também foram assassinados dois ministros da justiça, um procurador-geral da nação, um candidato presidencial, numerosos juízes e jornalistas, além de centenas de policiais pela balas dos sicários do capo.
A possibilidade de uma reativação do narcoterrorismo foi admitida pelo governo do presidente conservador Andrés Pastrana, que nesta quinta-feira, depois do atentado, através do ministro da justiça, Rómulo González, advertiu que se for comprovado que o carro-bomba é de responsabilidade dos mafiosos ‘‘todos os narcotraficantes seriam extraditados’’.
Essa advertência já tinha sido feita públicamente por Pastrana a meados de outubro passado. Depois da ‘‘Operação Milênio’’, que permitiu a captura na Colômbia de 30 supostas supostos narcotraficantes e outro no México, Pastrana disse que ‘‘se usarem da violência (os narcotraficantes) extraditarei a todos’’.
O ministro González também afirmou em coletiva à imprensa, no Palácio Presidencial, que o governo ‘‘não vai se intimidade de maneira nenhuma’’.
Por sua vez, o embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Curtis Kamman, condenou a ação terrorista e ofereceu ‘‘toda a colaboração’’ do governo americano para esclarecer sua origem e, ainda que não tenha admitido de imediato que a explosão do carro-bomba tenha sido obra dos narcotraficantes, também não descartou essa possibilidade.
A principal guerrilha do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, marxista), com as quais Pastrana iniciou negociações de paz no dia 24 de outubro passado, também tradicionalmente se opõe à extradição de cidadãos colombianos.

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